Cada vez mais valorizados, terrenos bem localizados ganham espaço em Goiás
Tendência ganha força e começa a aparecer em diferentes regiões

Os loteamentos e condomínios horizontais seguem ampliando espaço em Goiás e chamando a atenção de quem acompanha o mercado imobiliário de perto. Mesmo em um cenário de cautela, esse tipo de imóvel mantém ritmo de valorização e procura, especialmente em regiões metropolitanas como a de Goiânia, onde a disponibilidade de terrenos bem localizados se torna cada vez mais restrita.
Uma análise da Brain Inteligência Estratégica, apresentada à Associação dos Desenvolvedores Urbanos do Estado de Goiás (ADU-GO), aponta que os lotes devem voltar a ganhar protagonismo como alternativa de proteção patrimonial nos próximos anos. O estudo destaca que a lentidão na reposição de novos estoques, causada por entraves regulatórios e processos de aprovação mais longos, tem impacto direto na oferta e pressiona os preços para cima.
Segundo a ADU-GO, caso não haja avanços nos processos de desburocratização, a tendência é de manutenção desse cenário, com estoque enxuto e valores em alta. Para o segmento de loteamentos e condomínios fechados, isso cria um ambiente favorável, já que a escassez de terrenos disponíveis reforça a atratividade de áreas bem localizadas e com infraestrutura consolidada.
De acordo com a associação, a expectativa do setor é de um ambiente ainda mais positivo nos próximos meses, impulsionado pela sinalização do Banco Central sobre o início de um ciclo de mudanças na taxa básica de juros. Essa perspectiva tende a aumentar a liquidez do mercado imobiliário e reforçar o papel dos loteamentos como opção de investimento de médio e longo prazo, principalmente em regiões em expansão urbana.
Para o sócio da BrDU Urbanismo, Gabriel Fortes, a decisão recente do Comitê de Política Monetária era amplamente aguardada, mas o que realmente chamou a atenção do mercado foi o tom da comunicação oficial.
“No fim, a manutenção da Selic já era esperada, mas a ata do Copom trouxe um elemento que o mercado não antecipava: um forward guidance mais claro, sinalizando o início dos cortes já na próxima reunião”, afirma.
Segundo ele, apesar da indicação de cautela no ritmo dessas mudanças, a sinalização foi suficiente para alterar as expectativas.
“O Banco Central acabou abrindo a porteira. O mercado ignorou o alerta de serenidade e passou a apostar em um primeiro corte de 50 pontos-base e até de 75 pontos-base”, explica.
Gabriel Fortes destaca ainda que essa comunicação mais clara provocou uma reprecificação do cenário futuro.
“Em resumo, mesmo com a taxa mantida, o mercado passou a precificar uma queda mais rápida do que o esperado anteriormente, impulsionada por essa sinalização”, conclui.
Os números do mercado de loteamentos em Goiânia e região metropolitana em 2025 ajudam a ilustrar esse movimento. Ao longo do ano, foram lançados 28 empreendimentos, com uma média de sete lançamentos por trimestre. O volume mantém o setor ativo, mas sem excesso de oferta, o que contribui para a sustentação dos preços.
Em contrapartida, o número de lotes lançados apresentou uma queda de 21% em relação a 2024, totalizando 8.288 unidades. Esse dado reforça o cenário de estoque mais restrito, fator que exerce pressão positiva sobre os valores praticados no mercado.
Esse descompasso entre oferta e demanda já se reflete nos preços. Segundo o levantamento da Brain Inteligência Estratégica, o valor médio do metro quadrado apresentou valorização tanto em loteamentos abertos quanto fechados, com altas acumuladas que chegam a 25%, dependendo do perfil do empreendimento.
Apesar de uma desaceleração pontual nas vendas quando comparado a 2024, o volume negociado segue em patamar elevado. Em 2025, foram vendidos 11.155 lotes, com média trimestral próxima de 2,8 mil unidades, número superior ao registrado em 2023 e que indica a manutenção do interesse por esse tipo de ativo.
Outro indicador que reforça a força do mercado horizontal é o Valor Geral de Vendas (VGV). Mesmo com menos unidades lançadas, o VGV total dos empreendimentos atingiu R$ 2,3 bilhões em 2025. O dado aponta para um mercado mais seletivo, com foco em produtos de maior valor agregado, localização estratégica, infraestrutura e padrão urbanístico.
O conjunto dessas informações mostra que, em Goiás, os terrenos bem localizados seguem ganhando espaço, impulsionados por uma combinação de oferta limitada, demanda consistente e valorização contínua, consolidando os loteamentos e condomínios horizontais como uma das frentes mais ativas do mercado imobiliário no estado.
