Goiânia 91 anos: capital planeja chegar aos 100 anos com inovações tecnológicas, urbanísticas e crescimento imobiliário

Especialistas discutem os próximos desafios e tendências para a capital, com foco em saúde, educação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico

Thaís Muniz
Por Redação Curta Mais
Goiânia 91 anos: capital planeja chegar aos 100 anos com inovações tecnológicas, urbanísticas e crescimento imobiliário
Goiânia

Planejada para abrigar uma população de aproximadamente 50 mil pessoas, já nos anos 1950, menos de 20 anos após a sua fundação, Goiânia contava com 53 mil habitantes. A então nova capital de Goiás experimentaria um crescimento ainda mais acelerado na década de 1960, com a construção de Brasília e as obras viárias que interligariam o interior do Brasil ao resto do País.

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Novos bairros surgiram e a cidade ganhava importantes universidades, com isso, já nos anos 1960 Goiânia já contava com mais de 150 mil habitantes, o triplo para o qual foi projetada originalmente.

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Entre as décadas de 1970 e 1980 esse crescimento continuou, e foi nos anos 1990 que a capital registrou um salto enorme em sua expansão territorial e populacional, chegando a um milhão de habitantes no ano de 1996, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

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A cidade não só cresceu, mas se modernizou econômica e urbanisticamente, aliás foi nos anos 1990 que Goiânia ganhou dois de seus mais conhecidos cartões postais, o Parque Vaca Brava (no Setor Bueno) e o Parque Areião, que apesar de ter sido idealizado em 1938, somente em no ano de 1992 é que foi legalmente criado e em 1995 iniciou-se sua implantação.

Nas décadas iniciais dos anos 2000, a cidade recebe um alto fluxo migratório de pessoas vindas de vários estados brasileiros, aproveita os bons frutos econômicos do pujante agronegócio goiano, ganha mais indústrias e novos limites territoriais. E mesmo mantendo um certo charme interiorano, ganha ares de uma grande e moderna metrópole.

Agora em 2024, a menos de uma década de completar 100 anos, Goiânia fica bem próxima de chegar ao seu 1,5 milhão de habitantes e se antes mudanças mais profundas na capital eram percebidas em 30 ou 20 anos, nos dias de hoje, elas são mais rápidas e intensas. Portanto, em nove anos as transformações tecnológicas, econômicas e sociais podem certamente fazer de Goiânia uma cidade muito diferente da que temos hoje.

Para ajudar nesse exercício futurístico do que poderá ser a Goiânia centenária, convidamos especialistas das áreas de saúde, educação, tecnologia, mercado imobiliário e urbanismo para traçar uma perspectiva do que será tendência e desafio nesses respectivos campos de atuação. Confira:

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Mercado Imobiliário

Com duas décadas de trabalho no mercado imobiliário goianiense, e tendo atuado como gerente comercial em grande incorporadoras de Goiás e atualmente ocupando a gerência de vendas do Portal do Sol Golfe, o corretor de imóveis e especialista imobiliário  Ediberto Morais Jardim Filho prevê daqui nove anos que a Goiânia centenária terá projetos residenciais mais tecnológicos e voltados para as questões ambientais.

Ele também prevê também um forte fluxo migratório para a capital, que certamente impactará no mercado imobiliário. “Já somos a décima cidade em população e a nossa economia e  posição  geográfica centralizada vai continuar estimulando este movimento”, pontua.

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Outro que acredita nesse forte fluxo migratório que Goiânia deverá receber nos próximos anos e que impactará no mercado imobiliário é Ricardo Teixeira, especialista imobiliário e sócio do grupo URBS, uma das maiores empresas imobiliárias de Goiás.

Com três décadas e meio de experiência no setor de imóveis, Teixeira acredita que até seus 100 anos, a capital crescerá muito ainda, uma vez que vem se mostrando muito eficiente nesse posicionamento de ser uma metrópole já consolidada, com bons equipamentos urbanos como shopping, restaurante, hospitais, clínicas, escolas e universidades.

“O que eu imagino para Goiânia com os seus 100 anos é que ela replique esse modelo que ela vem construindo nos bairros já consolidados como Marista, Bueno e Jardim Goiás. E o crescimento imobiliário sustentável chegue àqueles bairros que ainda estão em processo de desenvolvimento  e desassistidos em alguns aspectos”, destaca Ricardo Teixeiras.

Inovação e Tecnologia

Investidor serial, especialista em tecnologia e inovação, sendo fundador de duas startups goianas, Acelérion Hub de Inovação e a Corretora.IA, o empresário Marcus Ferreira prevê uma capital mais tecnológica quando tiver 100 anos.

“Goiânia tem uma característica muito forte de ser uma cidade dinâmica, próspera, pródiga e voltada para a tecnologia. Eu diria que para os próximos anos iremos aumentar muito a questão dos carros elétricos, inclusive se estendendo para as frotas do transporte público. Isso vai causar um impacto positivo especialmente em relação à emissão de gás carbônico e a poluição sonora”, prevê o especialista.

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Para o especialista em Inteligência Artificial, Goiânia tem o potencial de ser uma das primeiras cidades do Brasil a possuir em sua frota de veículos, os carros autônomos. “É uma cidade que tem público para isso e nós temos a força para fazer isso acontecer. Então, esse é o que eu vejo para a nossa Goiânia centenária”, afirma.

Goiânia durante pôr do sol — Foto: Wesley Costa/ O Popular

Educação

A educação será outra área fortemente impactada pelas novas tecnologias, segundo prevê a pedagoga Sabrina Oliveira, especialista em psicopedagogia, gestão escolar e com 25 anos de atuação na área.

“Quando Goiânia chegar aos seus 100 anos, acredito que os desafios da educação estarão ainda mais conectados na questão das inovações tecnológicas. A inserção da IA [Inteligência Artificial] no ensino passará de uma ferramenta de busca por respostas prontas para uma ferramenta que poderá personalizar o aprendizado, adaptando-o às necessidades individuais dos alunos”, avalia a especialista.

Mas a pedagoga reconhece que esses avanços estão atrelados a questões éticas e sociais, que deverão ser levadas em contas e amplamente discutidas entre escolas e famílias.

“Para uma Goiânia centenária, a educação ainda terá como foco principal a formação humana e o desenvolvimento de competências socioemocionais. Por isso percebo que em um mundo cada vez mais digitalizado, será essencial  estimular o desenvolvimento de habilidades socioemocionais nos alunos. Ensinar a responsabilidade no uso das redes sociais, o pensamento crítico em relação às informações a que têm acesso, e a ética no uso de IA serão partes fundamentais do currículo escolar”, pontua.

Saúde

Com mais de 40 anos de medicina e formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), a infectologista, doutorado em doenças infecciosas pela USP, professora aposentada da UFG e uma das especialistas médicas que atendem no Órion Complex, em Goiânia, a médica Marilia Turchi vê uma capital goiana centenária cada vez mais avançada do ponto de vista de incorporação de novas tecnologias médicas.

Ela, que também é assessora médica da rede laboratório Padrão, reconhece que a cidade é hoje, e continuará sendo na próxima década, um importante polo de serviços em saúde para o país, mas alerta para que esses avanços dos modernos tratamentos e acesso aos serviços médicos chegue para quem mais precisa.

“Teremos um forte avanço dos novos tratamentos em diferentes áreas da saúde. Tratamentos e cada vez mais tecnológicos, rápidos e eficazes. Por outro lado, é fundamental garantir esse acesso à população como um todo, desde questões básicas como as vacinas (inclusive as que irão surgir). Espero que, quando Goiânia completar 100 anos, a gente tenha muitos recursos na área da medicina de precisão, de modo que por meio de diagnóstico de ponta seja possível, por exemplo, averiguar o perfil de determinados grupos populacionais, para a escolha de um medicamento que funciona melhor naquele perfil de pessoas”, diz a especialista médica sobre sua expectativa para a área da saúde.

A médica aponta também para um grande desafio, que segundo ela já se faz presente, mas que tende a impactar ainda mais na questão da saúde: trata-se das mudanças climáticas e seus efeitos sobre as populações.

“Esse não será um desafio só de Goiânia, mas do Brasil e do mundo de maneira geral. É o impacto do aquecimento global, das mudanças climáticas e do desmatamento na saúde das pessoas. Esses cenários têm feito com que  alguns agentes patogênicos e vírus que antes eram restritos a algumas áreas, passassem a migrar para outros locais, como os centros urbanos. Então, há agravos que a gente já conhece e haverá agravos novos que podem chegar. Vírus novos que antes estavam restritos a determinados nichos, com essas mudanças climáticas podem se deslocar. Tivemos um exemplo disso recentemente, com as catástrofes no Rio Grande do Sul, em que várias doenças infecciosas aumentaram como a leptospirose e doenças respiratórias”, alerta a médica sobre o futuro.

Urbanismo

Goiânia tem sido destaque nacional pela cidade moderna, inovadora e sustentável na qual tem se tornado e estará ainda mais avançada quando chega aos seus 100 anos, pelo menos é o que prevê o engenheiro civil, empresário e CEO do Grupo Mauá Victor Nakamura, profissional que acumula 13 anos de experiência no acompanhamento e elaboração de grandes projetos urbanísticos na cidade, como por exemplo o Plateau D’or, primeiro hub humano de Goiânia.

“No campo do urbanismo e dos projetos arquitetônicos, a tendência que já é forte em Goiânia e que deve aumentar é de lançamentos de empreendimentos de uso misto, que combine residências, espaços comerciais e áreas de lazer, tudo no mesmo local. E não falo aqui só de prédios mixed use, mas também bairros planejados com essa visão de agregar tudo que as pessoas precisam no seu dia a dia a poucos passos de casa”, avalia o empresário e engenheiro civil.

Segundo ele, a sustentabilidade e as áreas verdes verdes serão um outro ativo importantíssimo para os projetos de urbanização do futuro.

“A incorporação de áreas verdes ou parques dentro do próprio empreendimento, reuso de água, inovação energética (fotovoltaica), esses recursos serão cada vez mais comuns e amplamente usados. Haverá também muitos projetos de revitalização de áreas mais antigas que disponham de infraestrutura”, avalia o empresário sobre as perspectivas para projetos urbanísticos quando Goiânia chegar aos 100 anos.

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Victor Nakamura prevê que Goiânia, ao fim desta década, continuará sendo um forte polo de atração para empreendimentos de luxo, trazendo para a cidade projetos assinados por escritórios de arquitetura de grife. “A arte será o destaque desses empreendimentos de alto padrão que teremos nos próximo anos, sejam em esculturas, marcos de entrada, praças criativas, tudo isso irá estimular a cultura e a criatividade”, pontua Nakamura.

No segmento comercial, o empresário prevê uma vida longa aos shoppings centers e centros comerciais, ainda para uma Goiania Centenária.

“Os shoppings irão agregar muitas atratividades de experiência, além do tradicional centro de compras de varejo, com eventos que deverão conectar todas as idades e a diversidade da população. Os stripmalls que irão oferecer conveniência de bairro, evitando grandes deslocamentos. E falando em deslocamento, a mobilidade inteligente em harmonia com pedestres, ciclistas, carros e transportes públicos deverá ser atingida. A cidade precisará valorizar mais o deslocamento direto do pedestre, priorizando a saúde e um estilo de vida mais ativo. Por fim teremos uma economia muito mais compartilhada, favorecendo os co-living, time-sharing, coworking, entre outros tipos de espaços”, explica.

 

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