Morre Vicência Bretas, última filha viva de Cora Coralina, aos 97 anos

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
Morre Vicência Bretas, última filha viva de Cora Coralina, aos 97 anos
Foto: Divulgação

Vicência Bretas Tahan transformou a missão de preservar a memória de Cora Coralina em um compromisso de vida. Nesta terça-feira (14), esse trabalho ganhou um novo significado com a notícia de sua morte, aos 97 anos.

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A informação foi confirmada pelo Museu Casa de Cora Coralina, na Cidade de Goiás. Em nota de pesar, a instituição destacou que a partida de Vicência representa o encerramento de um importante capítulo da história da família da poetisa, mas ressaltou que seu legado permanecerá vivo por meio da dedicação com que cuidou da obra e da memória da mãe.

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Até a publicação desta reportagem, a família não havia divulgado a causa da morte nem informações sobre o velório e o sepultamento.

Uma vida dedicada à memória de Cora Coralina

Nascida em 24 de setembro de 1928, Vicência era a filha mais nova de Cora Coralina e a última herdeira viva da escritora goiana. Ao longo da vida, assumiu um papel essencial na preservação de um dos maiores patrimônios culturais de Goiás.

Escritora e biógrafa, publicou o livro “Cora Coragem, Cora Poesia”, obra em que reuniu lembranças, documentos e relatos sobre a trajetória da mãe. O livro ajudou a apresentar aspectos pouco conhecidos da vida de Cora Coralina e contribuiu para aproximar novas gerações da autora.

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Além disso, Vicência conservou manuscritos inéditos, fotografias, cartas e objetos pessoais da poetisa. Entre eles, estavam as tradicionais panelas de barro utilizadas na produção dos doces que também marcaram a história de Cora Coralina.

Esse trabalho silencioso foi decisivo para manter viva uma parte importante da história literária brasileira.

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Presença constante na Cidade de Goiás

Embora morasse em São Paulo, Vicência mantinha uma relação permanente com a Cidade de Goiás. Sempre que possível, participava de eventos culturais, homenagens e celebrações dedicadas à mãe.

Durante esses encontros, compartilhava histórias da convivência familiar, lembranças da infância e episódios da vida da escritora. Seus relatos ajudavam visitantes, pesquisadores e admiradores a conhecerem um lado mais íntimo de Cora Coralina, além da poetisa reconhecida nacionalmente.

Por isso, tornou-se uma das principais referências quando o assunto era a preservação da memória da autora.

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Legado que atravessa gerações

Na nota divulgada após a confirmação da morte, o Museu Casa de Cora Coralina destacou que a contribuição de Vicência vai muito além da condição de herdeira da escritora.

Segundo a instituição, sua dedicação garantiu que documentos, objetos e lembranças fossem preservados para futuras gerações, fortalecendo o patrimônio cultural de Goiás e da literatura brasileira.

Vicência deixa quatro filhos — Rubio, Célia, Ana Maria e Carlos Magno —, além de netos, familiares e amigos.

Quem foi Cora Coralina

Nascida em 20 de agosto de 1889, na Cidade de Goiás, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, conhecida pelo pseudônimo Cora Coralina, é considerada uma das maiores escritoras da literatura brasileira.

Reconhecida por retratar a simplicidade do cotidiano, a cultura popular e o interior goiano, publicou seu primeiro livro aos 75 anos e conquistou leitores em todo o país. Sua antiga residência, às margens do Rio Vermelho, hoje abriga o Museu Casa de Cora Coralina, um dos principais espaços de preservação da memória da escritora.

Durante toda a vida, Vicência Bretas ajudou a manter esse legado vivo. Agora, sua história passa a integrar, definitivamente, a memória de uma família que marcou a cultura brasileira.

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