Morre Mauricinho Hippie, ícone da cultura goianiense
Morreu Mauricinho Hippie, ícone goianiense que inspirou a maior feira livre da cidade

Goiânia perdeu um dos maiores ícones da sua cultura. Maurício Vicente de Oliveira, popularmente conhecido como Mauricinho Hippie, morreu na manhã deste domingo (10). A causa da morte não foi revelada pela família, que divulgou a seguinte mensagem:
“Goiânia perde uma das figuras mais folclóricas de um passado recente. A cultura e a arte, perde um dos seus maiores artista plástico que militou pelas galerias de arte de Goiânia. O movimento Hippie do passado, perde um dos seus criadores, o qual, deu nome à praça Hippie de Goiana e a música perde um acordeonista de exacerbado talento único. Falamos de Maurício de Oliveira da Costa, o Mauricinho, que deixa suas histórias criadas pelas ruas de Goiânia. Sua figura única, sua irreverência, suas roupas extravagantes, a qual, realmente chamava a atenção pela sua maneira de vestir. Sua Arte permanecerá sempre entre nós, sua figura única estará tatuada em cada cidadão goiano e sua maneira de ser, ficará eternizada na arte goianiense”.
Quem era Mauricinho Hippie
Mauricinho foi um dos fundadores da feira hippie em Goiânia. Nasceu em Minas Gerais, mas aos 9 anos se mudou para Goiânia.
Pelas ruas, ele declamava poesias e fazia apresentações artísticas vestido de personagens.
Atuava ainda em defesa dos direitos dos homossexuais em uma época em que imperava o conservadorismo.
Mauricinho Hippie foi reconhecido por muitos como “a vanguarda de Ney Matogrosso”, por conta de sua autenticidade e capacidade de impactar a todos com sua presença única.
“A gente expunha as mercadorias, somente artesanato e artes plásticas, no Parque Mutirama. Foi lá que começou a Feira Hippie. Eram cerca de 20 a 30 pessoas. Me lembro que o artista plástico Tancredo Araújo era um deles. Depois, a Feira se mudou para a Praça Cívica e, em seguida, para a Avenida Goiás. Eu fui até a fase da Avenida Goiás. Depois parei, quando a feira deixou de ser hippie”, disse Mauricinho em 2011.
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Ato marcante

Foto: Reprodução Acervo MAG
Apesar do apoio da mãe, seu pai não aceitava as manifestações artísticas de Mauricinho.
Então, insatisfeito, seu pai juntou todo o material, poemas, partituras, telas, desenhos e letras de músicas do filho e queimou tudo em uma fogueira.
Como resposta, Maurício pegou as suas roupas convencionais e queimou em uma fogueira ao lado da feita pelo pai.
A história foi confirmada por Mauricinho em uma entrevista ao jornalista e produtor cultural Carlos Brandão, em 2011.
“A partir daquele ato de queimar minhas roupas normais, eu passei a fabricar as roupas que vestia”, declarou à época.
A saber, nos últimos anos, Mauricinho enfrentou o Alzheimer e o Parkinson, e estava internado em estado grave no Hugol.
Aliás, a sua batalha mobilizou a cidade, unindo preces e boas vibrações. Ele se despede, mas a sua memória permanece viva, como um símbolo incorporado da arte e da irreverência que ele personificou.
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