“Proteína de Deus”, em formato de cruz, pode render o Nobel da Ciência ao Brasil

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
“Proteína de Deus”, em formato de cruz, pode render o Nobel da Ciência ao Brasil
Foto: Divulgação

A ciência brasileira voltou a ocupar espaço de destaque no cenário internacional, com a “Proteína de Deus”. A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, lidera uma pesquisa que pode representar um avanço significativo no tratamento de lesões da medula espinhal.

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Após mais de duas décadas de estudos, sua equipe desenvolveu a polilaminina, uma molécula sintética criada em laboratório a partir da laminina, proteína essencial para a formação e o crescimento dos neurônios. O objetivo é ambicioso, porém tratado com cautela científica: estimular a reconexão de fibras nervosas rompidas após traumas graves.

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Os resultados iniciais, ainda em fase experimental, indicam que a substância pode favorecer a recuperação de movimentos em casos de paraplegia e tetraplegia. Por isso, o estudo passou a atrair atenção de pesquisadores e instituições fora do país.

A Proteína de Deus que reorganiza conexões do sistema nervoso

A laminina, proteína que deu origem à polilaminina, é produzida naturalmente pelo corpo humano, sobretudo durante o desenvolvimento embrionário do sistema nervoso. Sua estrutura chama atenção por ter formato semelhante a uma cruz, com três braços curtos e um braço longo.

A partir dessa base, a equipe da UFRJ criou uma molécula capaz de se organizar em rede. Segundo Tatiana, essa organização favorece o crescimento e a orientação das fibras nervosas lesionadas. Em entrevistas recentes, a pesquisadora descreveu a polilaminina como um conjunto de “mãozinhas dadas”, expressão que ajuda a traduzir, de forma didática, um processo altamente complexo da neurociência.

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O apelido informal de “proteína de Deus”, usado em tom de brincadeira durante uma entrevista ao programa Conversas com Hildgard Angel, surgiu justamente por causa do formato da laminina. Apesar disso, a cientista reforça que o estudo segue rigorosamente critérios técnicos e científicos, sem espaço para misticismo ou promessas milagrosas.

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Resultados experimentais e limites do tratamento

Em um estudo experimental conduzido pela equipe, oito pacientes com lesões medulares graves participaram da pesquisa. Seis deles apresentaram recuperação parcial de movimentos com a “Proteína de Deus”. Um paciente voltou a andar. Ainda assim, Tatiana ressalta que os dados exigem cautela e não permitem generalizações.

Proteína de Deus

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A aplicação da polilaminina precisa ocorrer dentro de uma chamada “janela terapêutica”, que vai até 72 horas após o trauma. Fora desse período, os efeitos tendem a ser limitados, especialmente em lesões crônicas, quando o processo inflamatório e cicatricial já está instalado.

No Brasil, o primeiro paciente a receber o tratamento foi um militar de 19 anos, que teve acesso ao medicamento por decisão judicial. A aplicação ocorreu em hospital militar, e os primeiros sinais de resposta surgiram dias depois, com a retomada de pequenos movimentos na mão.

Pesquisa da Proteína de Deus segue em fase experimental no Brasil

Atualmente, a polilaminina passa por estudos clínicos com acompanhamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em parceria com o Laboratório Cristália. Ainda não há previsão de liberação comercial do medicamento.

Segundo a pesquisadora, o avanço do estudo depende de mais testes, investimentos contínuos e avaliação rigorosa de segurança e eficácia. A ciência avança, mas dentro do seu próprio tempo.

Ainda assim, a pesquisa da Proteína de Deus representa um marco para a produção científica nacional. Mostra que o Brasil é capaz de gerar conhecimento de ponta, com impacto real na vida das pessoas, sem recorrer a exageros ou falsas promessas.

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