Relembre a história do ‘Fofão’, o coletivo charmoso que agitou as ruas em Goiânia
O Fofão de Goiânia foi sucesso no final dos anos 80 e início dos anos 90

Foi em São Paulo, trazido por Jânio Quadros, que os ônibus de dois andares ganharam manchetes no Brasil e causaram enorme polêmica.
Ao contrário do que muitos imaginam, porém, esses modelos não transportavam apenas passageiros na capital, São Paulo. O modelo também foi implementado em outras cidades. Fofão era o apelido desses ônibus, oficialmente denominados Thamco ODA – ônibus de dois andares. Eles transportavam passageiros em linhas centrais que serviam os terminais e pontos de transferência. No entanto, a altura desses veículos era incompatível com o trajeto que percorriam, e os ônibus por onde passavam arrancavam galhos de árvores e cabos elétricos, causando polêmica.

Ônibus de dois andares em Osasco, São Paulo. Fotos: Reprodução/Diário do Transporte
Com colunas reforçadas, o ônibus foi uma inovação. Era um “monstro” nas cidades. O modelo saía de fábrica com 10,80 metros de comprimento e 4,26 metros de altura, com capacidade para 72 passageiros sentados e 40 em pé. Na parte superior, muito baixa, com altura interna de 1,70 metro, não podia viajar passageiro em pé. O modelo foi “encarroçado” pela Thamco sobre Chassi Scania K 112 CL, de 203 cavalos de potência.
O simpático Fofão chamou a atenção de várias cidades brasileiras. Além de São Paulo e Osasco, circulou por Goiânia, Recife e Uberlândia, mas em todas rodou por pouco tempo, inviabilizado pela estrutura desses municípios. Ao contrário do que ocorre na Europa, América, Ásia e África, onde os ônibus urbanos de dois andares são sucesso. Entre as cidades que os empregam em grande escala, estão a tradicional Londres, Johannesburgo, Cidade do Cabo, Hong Kong, Cingapura, Berlim e Porto. Lá, os gigantes circulam sem nenhum problema.

Ônibus de dois andares em Recife, Pernambuco. Fotos: Reprodução/Diário do Transporte
Não demorou muito para eles se aposentarem. Ainda assim, a sensação de ter um veículo como as pessoas de Londres é notável, dizem os moradores que já usaram os ônibus de dois andares. Havia pessoas esperando o ônibus no ponto de ônibus só para subir as escadas. Desprezaram a passagem de um modelo convencional apenas pela oportunidade de fotografar o fofão. Apesar da curta vida o modelo foi um clássico e deixou sua marca na história do transporte no Brasil.
Fofão em Goiânia

Ônibus de dois andares em Goiânia, Goiás. Fotos: Reprodução/Diário do Transporte
Em Goiânia circularam três unidades, entre 1988 e 1991. Os ônibus de dois andares foram operados pela Transurb e operavam na região central da cidade. O então Governador Henrique Santillo, após uma promessa não cumprida, de fazer um metrô em Goiânia ligando Senador Canedo até Trindade, comprou três ônibus carroceria THAMCO ODA (ônibus de dois andares).
O “Fofão” de Goiânia, tinha cor vermelha bem chamativa e faziam parte da frota da antiga TRANSURB (Empresa de Transportes Urbanos de Goiânia). Desfilando pelas ruas, fizeram muito sucesso na Avenida Anhanguera, onde existia o Eixo ligando os cinco terminais (Padre Pelágio, DERGO, Praça A, Praça da Bíblia e Terminal Novo Mundo).

Interior do Fofão de Goiânia. Fotos: Reprodução/Goiânia do Passado
Era uma alegria entre os jovens sair dos colégios e pegar o “Fofão”, para andar pelas ruas e avenidas goianas. A linha era a do Eixo Complementar 101, itinerário IQUEGO/Praça do Botafogo, posteriormente IQUEGO/Secretaria da Agricultura.
Entretanto, esses ônibus dois andares não eram integrados, passavam por fora dos terminais. A tarifa era a mesma para todo o sistema, com cobrador posicionado lá no fundo. O embarque no ônibus também era pela porta de trás e o desembarque pela porta central e dianteira.

Interior do Fofão de Goiânia. Fotos: Reprodução/Goiânia do Passado
O “Fofão” acabou não dando certo em Goiânia, sendo retirado de circulação por alguns motivos, entre eles: o grande número de assaltos no segundo andar e aos diversos sustos com possibilidades reais de tombamento, quando trafegava pelas curvas fechadas de Goiânia, durante seu itinerário.

Ônibus de dois andares em Goiânia, Goiás. Fotos: Reprodução/Diário do Transporte
Cenário Atual
Como uma banda de música que fica pouco tempo no cenário, mas muda as concepções da época, assim foi o Fofão no setor de transporte de passageiros. Marco na história das cidades, seu “fracasso” serviu de base para as administrações públicas investirem em outro modelo de grande capacidade: o articulado, que era também uma experiência na época do Fofão.
Hoje no Brasil, além de modelos urbanos adaptados para passeios turísticos, como o Busscar Urbanuss Pluss no sul do País e em Manaus, e o Viale DD Sunny., da Marcopolo, que faz linha turística na Capital Paulista e no Parque Nacional do Iguaçu, não há mais operação com ônibus de dois andares em serviços municipais ou intermunicipais. Mas por ironia, o País continuou sendo exportador de ônibus urbanos deste tipo. A Marcopolo, em 2001, foi responsável pelo envio de uma enorme quantidade de ônibus que integraram o projeto de transportes Metrobus, de Johannesburgo na África.
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Com informações de Diário do Transporte
Fotos: Reprodução/Diário do Transporte

