A tendência dos imóveis ‘Senior Living’: próprios para pessoas 60+

Busca por casas e apartamentos projetados para pessoas com mais de 60 anos tem despertado o mercado imobiliário

Marília Rodrigues
Por Redação Curta Mais
A tendência dos imóveis ‘Senior Living’: próprios para pessoas 60+
Imóveis 'senior living' atrai atenção do mercado imobiliário (Imagem: Freepik)

O mercado imobiliário está de olho em um nicho que merece atenção. O número de pessoas que tem mais de 60 anos quase dobrou nos últimos anos no Brasil, segundo o IBGE. Por isso, com a população dos 60+ crescendo, cresce também o interesse por moradias que tragam acessibilidade e garantam a autonomia dos moradores. Os chamados “Senior Living” são projetados com estrutura adaptada, serviços de bem-estar e, em alguns casos, até formas de suporte leve à saúde.

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Lucélia Brito, arquiteta, explica que quando falamos em ambientes adaptados precisamos pensar no espaço focando em segurança, mas respeitando a história já vivida por essas pessoas. “É preciso ter uma escuta ativa para esse público. Eles já viveram uma história que precisa ser preservada, ressaltada no ambiente em que moram. O mais importante para esses imóveis é deixá-los sem uma ‘cara de hospital’ e respeitando o morador para que ele se sinta pertencente e, claro, tendo suas necessidades atendidas”, explica.

Segundo a especialista, os próprios idosos lideram a procura por essas adaptações. E são eles quem despertam nas construtoras um olhar mais humanizado quanto ao espaço. “Essa preocupação está crescendo no mercado porque as pessoas estão pensando a longo prazo, em como viver melhor nos próximos anos, em se locomover dentro do lar com autonomia. É um movimento em ascensão, principalmente quando falamos sobre casas e reformas”, pontua.

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Tecnologia a nosso favor

A automatização de um apartamento ou casa que antes era vista como luxo, hoje já é reconhecida como uma facilitadora e, para o público 60+, uma necessidade. “A gente precisa entender que a tecnologia é uma parceira da rotina. Contar com o apoio tecnológico que pode ir desde a uma fechadura eletrônica, quando se esquece uma chave, até o comando por voz para ligar o ar-condicionado, quando se perde o controle, é um ganho fundamental quando o assunto é autonomia na terceira idade”, ressalta Lucélia.

Os cômodos e suas particularidades

Banheiros: um banheiro adaptado para idosos e cadeirantes deve priorizar a segurança e autonomia do usuário, com espaços amplos, barras de apoio, pisos antiderrapantes, vasos sanitários elevados e acessórios de fácil alcance.

Sala: é necessário garantir espaço livre para circulação, móveis seguros e funcionais, além da iluminação adequada. É importante evitar obstáculos, como tapetes e móveis pequenos, que possam dificultar a movimentação da cadeira de rodas e a locomoção para quem utiliza bengalas, por exemplo. “A segurança sempre vem em primeiro lugar, mas tornar o espaço afetivo também é uma prioridade. É importante analisar o tamanho da sala para indicar onde móveis de família ficariam melhores posicionados e colocar outros itens em lugares estratégicos para não comprometer a mobilidade”, orienta a especialista.

Quarto: o espaço também deve ter uma livre circulação e com barras de apoio e pisos antiderrapantes. Portas de correr ou portas sanfonadas são recomendadas para otimizar o espaço e facilitar a passagem. Móveis com altura ajustável e puxadores que facilitam o manuseio, além de gavetas com sistema de deslizamento suave. A cama deve ter uma altura que facilite a transferência da cadeira de rodas para a cama e vice-versa, geralmente entre 46 e 50 cm. Iluminação adequada, com interruptores de fácil acesso e opções de luz noturna para evitar quedas no escuro.

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Cozinha: uma cozinha para idosos e cadeirantes deve priorizar a autonomia e ergonomia dos moradores. É importante que as bancadas e pias tenham alturas acessíveis tanto para quem está em pé quanto sentado em uma cadeira de rodas, com espaço livre embaixo para a cadeira se encaixar. Escolha modelos de eletrodomésticos que tenham controles fáceis de usar, botões grandes e acesso intuitivo. Fogões com acendimento automático e travas de segurança são recomendados, assim como geladeiras com freezer na parte inferior. Manter os utensílios e alimentos de uso frequente em locais de fácil alcance também deixa o ambiente mais prático e seguro.

Área de serviço: optar por armários deslizantes e acessíveis, dando preferência também à eletrodomésticos automatizados.

Bairros adaptados

A escolha do imóvel leva sempre em consideração a região. No caso dos imóveis direcionados ao público 60+, essa decisão passa a ser muito mais exigente, uma vez que a proximidade de serviços essenciais como saúde, alimentação e lazer se torna indispensável. “Hoje temos um público 60+ mais ativo do que antes. E muitas das escolhas são para garantir que todos tenham autonomia. Por isso, a infraestrutura do bairro precisa oferecer lavanderia por perto, lojas, padarias, supermercados, academias, clínicas, hospitais. Escolher bem o lugar onde se vai morar significa entender suas necessidades e também a rotina, para que a locomoção seja fácil e próxima”, explica Lucélia.

Legislação

Apesar dos olhares estarem neste nicho de 60+, ainda não há nenhuma legislação específica. Segundo Laiz Defende, advogada especialista em Direito Imobiliário, os empreendimentos operam com base em legislações análogas, como a lei do inquilinato, convenções e regimentos, adaptando, inclusive, com normas de hotelaria, saúde e habitação. “Esta nova realidade passa a exigir um olhar do poder público e dos legisladores, já que se trata de uma modalidade híbrida, que combina habitação com hospitalidade e cuidados médicos. As construtoras também passam a olhar com bons olhos o novo modelo de empreendimento e desafia projetistas, engenheiros e o jurídico de suas empresas para criarem condomínios que atendam a esta demanda, que já é uma realidade no nosso país”, explica.

 

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