NASA revela qual o risco real de asteroide atingir a Terra em 2032
Novo monitoramento orbital praticamente descarta impacto do asteroide recém-descoberto, que chegou a preocupar cientistas em fevereiro

A possibilidade de um asteroide colidir com a Terra sempre mobiliza a comunidade científica e a opinião pública. Nos últimos meses, o asteroide 2024 YR4 — identificado em dezembro do ano passado — vinha sendo monitorado com atenção pela NASA e por instituições internacionais de defesa planetária. Em fevereiro, a probabilidade de impacto com o planeta em 2032 chegou a ser estimada em 3,1%, o maior nível de risco registrado por um objeto próximo da Terra desde o início do monitoramento sistemático desses corpos celestes. No entanto, após observações adicionais e aprimoramentos nas simulações orbitais, a agência espacial norte-americana reduziu essa chance para apenas 0,004%, descartando praticamente qualquer possibilidade de colisão.
Asteroide recém-descoberto gerou alerta global
O asteroide 2024 YR4 foi detectado em 27 de dezembro de 2024 pelo telescópio ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), localizado no Chile. Com um diâmetro estimado entre 40 e 90 metros, ele rapidamente foi incluído na lista de objetos potencialmente perigosos da NASA. A classificação foi baseada no Sistema de Risco de Impacto de Palermo, que considera não apenas a probabilidade de colisão, mas também o potencial de dano causado.
Segundo os cálculos iniciais, a energia que seria liberada por uma colisão com a Terra seria equivalente a 7,7 megatoneladas de TNT, impacto suficiente para devastar uma grande área urbana. Para comparação, a bomba de Hiroshima liberou cerca de 15 quilotons — ou seja, uma colisão com o 2024 YR4 poderia ser até 500 vezes mais poderosa.
O que mudou: análise orbital refinada
Com o avanço das observações e a coleta de novos dados sobre a trajetória do asteroide, cientistas do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), da NASA, conseguiram refinar os cálculos de sua órbita. Isso resultou na atualização da probabilidade de impacto: de 3,1% em fevereiro, para 1,5% semanas depois, até alcançar a marca atual de 0,004%.
Esse tipo de atualização é comum na astronomia. Quanto mais dados se têm sobre a posição e o movimento de um asteroide, maior a precisão das simulações de sua rota futura. Para a NASA, o 2024 YR4 não representa mais ameaça significativa nas próximas décadas.
Sistema de defesa planetária foi acionado
A atenção dada ao 2024 YR4 destaca a importância dos sistemas internacionais de defesa planetária. Desde o início dos anos 2000, a NASA e outras agências espaciais mantêm programas de rastreamento e simulação para detectar com antecedência possíveis ameaças à Terra vindas do espaço.
Em 2022, a NASA realizou com sucesso a missão DART, um teste inédito de desvio de asteroide ao colidir propositalmente uma espaçonave com o asteroide Dimorphos. O sucesso da missão reforçou a viabilidade de uma resposta ativa a objetos perigosos.
Apesar disso, os cientistas alertam que a prevenção depende da detecção antecipada. “Objetos de pequeno a médio porte, como o YR4, ainda podem passar despercebidos até que estejam relativamente próximos da Terra”, afirmou Lindley Johnson, responsável pelo Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA.
O que é o asteroide 2024 YR4
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Descoberta: 27 de dezembro de 2024
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Localização inicial: observatório ATLAS, Chile
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Diâmetro estimado: entre 40 e 90 metros
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Classe: Objeto Próximo à Terra (NEO) do tipo Apolo
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Probabilidade de impacto (atual): 0,004%
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Data de maior aproximação: 4 de novembro de 2032
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Velocidade estimada: 15 km/s
Impactos possíveis, mesmo com baixa probabilidade
Embora o risco atual seja praticamente inexistente, a existência de corpos como o 2024 YR4 mantém aceso o debate sobre a vulnerabilidade da Terra diante de eventos espaciais. Um asteroide de 60 metros, por exemplo, poderia causar danos regionais consideráveis se atingisse uma área densamente povoada. O evento mais comparável na história recente é a explosão de um meteoro sobre Chelyabinsk, na Rússia, em 2013, que feriu mais de 1.200 pessoas e causou prejuízos materiais sem que o objeto tivesse tocado o solo.
Risco quase nulo, mas vigilância constante
O caso do asteroide 2024 YR4 ilustra como o avanço tecnológico e o monitoramento constante podem transformar um cenário de potencial catástrofe em tranquilidade baseada em dados científicos. A redução da chance de impacto reforça o papel das agências espaciais na proteção do planeta, mas também serve como alerta sobre a necessidade de investimentos contínuos em pesquisa, infraestrutura e cooperação internacional.
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