Rota Agro investirá R$ 7,3 bilhões em Goiás e MT com promessa de reduzir frete, tempo e acidentes

Projeto de concessão prevê pedágio eletrônico, duplicacões, passagens de fauna e modernização do escoamento agrícola; leilão ocorre em agosto

Fernanda Cappellesso
Por Fernanda Cappellesso
Rota Agro investirá R$ 7,3 bilhões em Goiás e MT com promessa de reduzir frete, tempo e acidentes
Projeto Rota Agro destina R$ 7,3 bilhões à modernização de rodovias entre Goiás e Mato Grosso, com foco em escoamento agrícola e pedágio eletrônico.

Com leilão marcado para o dia 14 de agosto de 2025, o projeto Rota Agro promete inaugurar uma nova fase na infraestrutura viária entre Goiás e Mato Grosso. Com investimento superior a R$ 7,3 bilhões, a concessão abrange 490 quilômetros de rodovias federais, com foco no escoamento agrícola, segurança viária e modernização logística.

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As obras e a gestão da malha ficarão sob responsabilidade da empresa vencedora por um período de 30 anos. O pacote inclui duplicações, faixas adicionais, paradas de ônibus, passagens de fauna e a implantação do sistema de pedágio eletrônico (Free Flow) — um modelo sem cancelas, que elimina filas e promete reduzir tempo e consumo de combustível.

A expectativa é que a Rota Agro reduza em até 25% o tempo de transporte entre centros produtores e os portos de exportação. Goiás será o estado mais beneficiado, com mais da metade dos recursos concentrados em seu território.

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Rota Agro prioriza Goiás e entrega pacote robusto de obras

O trecho goiano da Rota Agro — que compreende áreas entre Rio Verde, Jataí e Santa Rita do Araguaia — deve receber grande parte das intervenções. Segundo a ANTT, estão previstas:

  • 45,6 km de pistas duplicadas

  • 150,9 km de faixas adicionais

  • 30 novas paradas de ônibus

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  • 17 rotatórias alongadas

  • 21 passagens de fauna

  • 5 praças de pedágio com tecnologia Free Flow

Além das obras físicas, o edital prevê a instalação de barreiras acústicas, passarelas para pedestres e sistemas de contenção ambiental para transporte de cargas perigosas.

Rota Agro promete cortar até 12% do custo logístico

Estudo do Instituto Goiano de Logística indica que a Rota Agro pode reduzir em até 12% os custos logísticos por tonelada transportada, considerando os ganhos de tempo, menor risco de acidentes e maior regularidade nas entregas.

Hoje, cerca de 85% da produção agrícola em Goiás é transportada por rodovias. A melhoria do fluxo tem impacto direto no preço final do frete e na competitividade do produto brasileiro no exterior.

Pequenos produtores temem impacto tarifário

Apesar dos ganhos previstos, pequenos produtores têm levantado preocupações com relação ao custo do pedágio. Com a cobrança por quilômetro rodado, o modelo pode onerar transportes de curtas distâncias — comuns em regiões onde há concentração de cooperativas.

“O modelo eletrônico é moderno, mas ainda não sabemos qual será a tarifa. Um aumento de R$ 500 a R$ 700 por safra pode inviabilizar operações menores”, diz o produtor João Medeiros, de Mineiros (GO).

Especialistas criticam ausência de integração com ferrovias

Um dos pontos mais criticados por engenheiros e urbanistas é a ausência de integração entre a Rota Agro e a malha ferroviária existente — especialmente a Ferrovia Norte-Sul, que cruza a região.

Segundo o consultor em transporte e logística José Martins, “não há como modernizar a matriz logística sem promover o uso combinado de modais. Apostar só na rodovia, em pleno 2025, é perder eficiência no longo prazo”.

Ambientalistas questionam compensações

O projeto da Rota Agro prevê medidas ambientais como 21 passagens de fauna, contenção de resíduos e barreiras acústicas. No entanto, organizações ambientais afirmam que as ações são insuficientes.

Relatório do Instituto Cerrado Vivo aponta que não há previsão de reflorestamento compensatório nem de monitoramento contínuo de impacto sobre espécies ameaçadas. “Estamos tratando de um dos biomas mais frágeis do país. As intervenções deveriam vir acompanhadas de um plano robusto de mitigação”, aponta o documento.

Leilão em agosto e obras a partir de 2026

O edital estabelece que o leilão ocorrerá em 14 de agosto de 2025, com assinatura de contrato até dezembro do mesmo ano. A empresa vencedora terá obrigações imediatas, como sinalização e recuperação emergencial de trechos críticos.

As obras estruturais — como duplicações e implantação de faixas adicionais — devem começar em 2026, com prazos definidos em cronograma trienal. O modelo de concessão prevê avaliação por desempenho, com metas de fluidez, segurança e preservação ambiental.

Resumo do projeto Rota Agro

  • Investimento previsto: R$ 7,3 bilhões

  • Extensão total: 490 km

  • Estados atendidos: Goiás e Mato Grosso

  • Leilão: 14 de agosto de 2025, na B3

  • Tecnologia: 5 praças de pedágio eletrônico (Free Flow)

  • Duração da concessão: 30 anos

  • Obras principais: duplicações, faixas adicionais, paradas, passagens de fauna

  • Benefícios estimados: redução de 25% no tempo de viagem e até 12% no custo logístico

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