Ex-técnico da Seleção Brasileira é preso por chefiar esquema de R$ 350 milhões com trabalho escravo, cigarro ilegal e lavagem de dinheiro
Luis Antônio Verdini, ex-comandante da Seleção Sub-20, foi capturado pela PF em operação que revelou a participação de policiais e bombeiros em organização criminosa com braços no contrabando, tráfico de pessoas e criptomoedas

O nome de Luis Antônio Verdini de Carvalho, conhecido no meio esportivo como ex-técnico da Seleção Brasileira Sub-20 em 2010, voltou aos holofotes na última semana. Mas desta vez, longe dos gramados. Verdini foi preso pela Polícia Federal na Operação Libertatis 2, acusado de integrar o alto comando de uma organização criminosa envolvida em crimes como contrabando de cigarros, tráfico de pessoas, trabalho escravo e lavagem de dinheiro.
A investigação aponta que o ex-técnico, também ex-assessor da Secretaria Nacional de Futebol, atuava como o principal operador financeiro de Adilsinho, foragido da Justiça, ligado ao jogo do bicho e investigado como mandante de pelo menos 20 crimes, incluindo homicídios.
PF apreende R$ 350 milhões e revela rede com policiais e segurança privada
A operação cumpriu 21 mandados de prisão e levou à apreensão de bens avaliados em R$ 350 milhões, como imóveis de luxo, carros importados e criptomoedas. Segundo a PF, a quadrilha funcionava com um braço paralelo de segurança, formado por policiais militares e bombeiros, responsáveis por proteger os carregamentos ilegais e assegurar a distribuição clandestina de cigarros no Brasil.
As investigações começaram há dois anos e identificaram fábricas clandestinas na Baixada Fluminense, onde trabalhadores paraguaios eram mantidos em regime análogo à escravidão. A rede criminosa aproveitava a vulnerabilidade social de imigrantes para sustentar uma operação altamente lucrativa e estruturalmente sofisticada.
Das convocações ao contrabando: queda do técnico da Seleção Brasileira
Luis Verdini deixou a função na Seleção Sub-20 há mais de uma década, mas manteve-se próximo de figuras influentes do meio esportivo e político. A PF investiga como essas conexões facilitaram operações de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio em nome de terceiros.
O envolvimento de um técnico da Seleção Brasileira em um esquema tão amplo e violento expõe o alcance do crime organizado nas instituições públicas e privadas, e levanta dúvidas sobre os mecanismos de fiscalização de agentes que transitam entre o esporte, o poder público e o submundo financeiro.
Adilsinho: luxo, poder e a face oculta da contravenção
Enquanto Verdini cuidava das finanças, Adilsinho orquestrava o império. Conhecido por festas luxuosas — como uma com 500 convidados no Copacabana Palace durante a pandemia —, ele também já foi condenado por crimes financeiros, mas teve sua pena anulada. Agora, além de contrabando e tráfico, também é investigado por falsificação de documentos, evasão de divisas e fraudes comerciais.
Para os investigadores, o caso representa um dos maiores esquemas já revelados envolvendo figuras de prestígio e instituições estatais. O elo entre o ex-treinador da Seleção Brasileira e uma das quadrilhas mais perigosas do país lança luz sobre os riscos da normalização da impunidade entre elites e criminosos.
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