Sabia que ‘não fazer nada’ pode melhorar a sua saúde?

Movimento por uma vida mais saudável ganha força entre os millennials e a geração Z; entenda

Thaís Muniz
Por Redação Curta Mais
Sabia que ‘não fazer nada’ pode melhorar a sua saúde?

A produtividade e conquistas são vistas como medidas de sucesso no mundo de hoje, assim a ideia de passar um ano “sem fazer nada” pode parecer angustiante e nada saudável. Para muitos, a simples ideia de desacelerar pode causar ansiedade, porém, uma nova cultura parece estar ganhando força.

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Uma nova geração de trabalhadores está promovendo uma “mudança de vibe”, priorizando o bem-estar e a qualidade de vida sobre o ritmo frenético do mercado de trabalho.

Esse movimento, chamado de #SlowLiving (viver lentamente, no português), reflete uma nova cultura, com uma busca por viver de forma mais consciente, onde a pressa é substituída pela valorização do presente.

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Enquanto os millennials (nascidos entre 1981 e 1995) começam a adotar o slow living, a geração Z (1995-2010) abraça a ideia de empregos remotos, com baixa pressão e que permitem reservar energia para outras áreas da vida, como hobbies e autocuidado.

A necessidade de desacelerar

Autores, como a escritora Emma Gannon, conhecida por seu trabalho em podcasts e plataformas como Substack, faz uma exemplificação desse movimento. Em seu livro “A Year of Nothing” (“Um ano de nada”, em tradução livre), ela narra sua experiência de um ano sabático forçado, após sofrer um burnout extremo.

Durante esse tempo, Gannon conta que dedicou-se a atividades simples, como observar pássaros, nadar e escrever em um diário, enquanto refletia sobre a pressão implacável por sucesso. Segundo ela, o seu colapso foi inevitável, apontando que ignorou sinais de exaustão por anos.

O resultado para Gannon foi intenso, a escritora sofreu um desligamento físico e mental: incapaz de olhar para o celular ou mesmo caminhar pela rua sem se sentir fraca. Ela acredita que muitos só conseguem parar quando atingem o limite, vivendo em uma sociedade que valoriza a produtividade constante. Agora, Gannon defende momentos de ócio e descanso, pois acredita ser fundamental para a nossa saúde.

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O que é o movimento #SlowLiving?

O Slow Living não surgiu agora, mas tem sido amplamente abordado por autores ao redor do mundo. Desde o início da pandemia, a busca por uma vida menos acelerada se intensificou. Além disso, vale lembrar que esse apelo por uma vida mais tranquila não é exclusividade dos jovens.

A busca por desacelerar e reduzir o ritmo de trabalho ganha espaço também em políticas como a semana de trabalho de quatro dias, testada no Reino Unido. Essa iniciativa ganha força e tem como desejo reduzir o ritmo e valorizar o tempo livre, se espalhando por diferentes faixas etárias.

O slow living é um estilo de vida! Em sua tradução literal do inglês, podemos entender esta prática como uma “vida lenta”, ou seja, conhecendo o nosso próprio tempo e sabendo administrá-lo de acordo com nossos princípios e objetivos

Ao mesmo tempo, o slow living enfrenta críticas, sendo visto por alguns como privilégio. Emma Gannon, por exemplo, pôde financeiramente se dar ao luxo de parar. Jenny Odell trabalhava como professora em uma universidade de prestígio, e Katherine May, autora de “Inverno da Alma”, conseguiu reduzir suas atividades para priorizar a saúde mental e familiar.

Para muitos trabalhadores, no entanto, essa possibilidade parece distante, com múltiplos empregos necessários para pagar as contas.

Pequenos atos podem ajudar

Diante das críticas, a própria Gannon insiste que a filosofia slow living não depende apenas de condições financeiras, mas de mentalidade. Sugerido po ela, mesmo que em meio de rotinas exaustivas, a autora reforça que pequenos momentos de respiro, como uma caminhada ou o simples ato de apreciar algo bonito, podem fazer uma diferença significativa.

Esse novo olhar para o trabalho e para a vida, reflete uma crítica ao consumismo e à busca incessante por mais bens e status, características fortes das gerações anteriores. Agora, para muitos millennials e membros da geração Z, é encontrar um equilíbrio saudável e sustentável.

Por fim, a ascensão do Slow Living e do desejo por uma vida mais leve, apontam para uma transformação cultural em que o sucesso é reavaliado, focando-se menos na produtividade e mais no bem-estar.

 

 

 

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