Nova espécie de perereca é descoberta no Cerrado

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
Nova espécie de perereca é descoberta no Cerrado
Foto: Divulgação

Uma nova espécie de perereca descoberta no Cerrado brasileiro voltou a colocar o bioma no centro das atenções da ciência e da conservação ambiental. O anfíbio, identificado no noroeste de Minas Gerais, vive exclusivamente em áreas preservadas e foi registrado apenas em duas localidades próximas ao município de Paracatu. Ou seja. Trata-se de um achado raro. E também frágil.

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Batizada de Ololygon paracatu, a espécie foi descrita por pesquisadores ligados a instituições como a Universidade de Brasília, a Universidade Federal de Goiás e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O estudo foi publicado na revista científica Zootaxa, referência internacional em taxonomia zoológica.

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A descoberta não aconteceu por acaso. Ela é resultado de anos de trabalho de campo, análises genéticas detalhadas e observação cuidadosa de características físicas e comportamentais. Além disso. Envolve um alerta claro sobre a degradação silenciosa dos ambientes naturais do Cerrado.

Um anfíbio pequeno, mas cheio de singularidades

De pequeno porte, a nova perereca apresenta diferenças genéticas, morfológicas e acústicas em relação a outras espécies do mesmo gênero. Os machos medem entre 20 e 28 milímetros. Já as fêmeas podem chegar a pouco mais de 35 milímetros. Mas o tamanho não engana. Cada detalhe conta.

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Para confirmar que se tratava de uma espécie inédita, os pesquisadores combinaram análises de DNA, comparações físicas e gravações do canto dos animais. Sendo assim. A vocalização, muitas vezes invisível ao público, foi decisiva para diferenciar a nova perereca de outras já conhecidas.

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O habitat também chama atenção. O anfíbio vive em matas de galeria, áreas florestais associadas a córregos de águas rápidas e leito rochoso. Ambientes típicos do Cerrado. Inclusive em regiões do estado de Goiás.

Descoberta científica da perereca que carrega um alerta ambiental

O nome Ololygon paracatu faz referência ao Rio Paracatu, um dos principais afluentes do Rio São Francisco. A escolha não é apenas simbólica. Durante o trabalho de campo, os pesquisadores identificaram sinais claros de degradação ambiental nos riachos onde a espécie vive. Entre eles, assoreamento, alterações no curso da água e impactos causados pela ação humana.

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Segundo a pesquisadora Daniele Carvalho, do ICMBio, descrever uma nova espécie vai além da ciência. “É torná-la visível para a sociedade e chamar atenção para a crise ambiental e hídrica que ameaça não só os anfíbios, mas toda a população”, afirma.

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A nova perereca é a oitava espécie do gênero Ololygon descrita no Cerrado. Ou seja. Cada descoberta reforça a ideia de que o bioma ainda guarda muitos segredos. Mas também deixa claro que o tempo para protegê-los é cada vez mais curto.

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