Série do Disney+ usa o esporte infantil para falar de fé, ansiedade e amadurecimento

Nova produção da Pixar surpreende com sensibilidade e realismo ao acompanhar uma equipe de softball na semana mais importante de suas vidas

Thaís Muniz
Por Thaís Muniz
Série do Disney+ usa o esporte infantil para falar de fé, ansiedade e amadurecimento

Você pode até pensar que já viu muitas histórias sobre times desacreditados chegando à final de um campeonato. Mas essa série da Pixar escapa fácil do clichê. Lançada no Disney+, a produção “Ganhar ou Perder” propõe algo bem diferente: mostrar o que acontece na mente de cada personagem nos dias que antecedem o jogo mais importante da temporada.

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E o resultado é uma animação que, apesar de colorida e divertida, acerta em cheio ao tratar de temas delicados como ansiedade, fé e identidade — tudo com a profundidade que o estúdio costuma entregar.

O primeiro episódio já deixa claro que essa não é apenas mais uma produção sobre esportes. Ele gira em torno de Laurie, a filha do treinador do time Pickles.

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Insegura com sua performance, ela tenta esconder o nervosismo até que a ansiedade se materializa de forma lúdica, como uma bolha de suor gigante que a persegue. A representação é simples, mas eficaz: o espectador se identifica com o sentimento de dúvida que corrói por dentro, mesmo diante de pessoas que acreditam em nós.

Para lidar com tudo isso, Laurie recorre a uma oração sincera, do tipo que qualquer pessoa já fez em algum momento da vida. A força vem daí — não de uma certeza absoluta, mas da coragem de continuar tentando, mesmo com medo.

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Laurie, de 12 anos, não é a jogadora mais habilidosa do time, mas se esforça ao máximo. Sua insegurança é personificada em um ser chamado Sweaty, que ela carrega nas costas enquanto a ansiedade a impede de ser o que ela deseja: uma jogadora de destaque que possa deixar seu pai, técnico Dan, orgulhoso

Cada cabeça, um universo

A grande sacada da série está em seu formato. Cada episódio é focado na perspectiva de um personagem diferente: atletas, familiares, técnicos, até o juiz da partida. E o jogo, que normalmente ocuparia o centro da narrativa, vira quase um detalhe. O que importa aqui são as histórias pessoais, as pressões invisíveis, os dilemas internos.

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Afinal, estamos falando de crianças lidando com expectativas de pais, medos silenciosos, inseguranças sobre o futuro e o desejo simples de pertencer a algum lugar.

Esse tipo de estrutura permite que Ganhar ou Perder explore diferentes estilos de narrativa e até mudanças no visual, dependendo do ponto de vista de quem está contando. Em vez de uma história linear, o público é convidado a montar um quebra-cabeça emocional, encaixando versões e sentimentos que se completam.

É raro ver uma produção voltada ao público infantojuvenil se aprofundar tanto nas subjetividades sem parecer forçada. A Pixar acerta ao confiar na inteligência emocional das crianças — e dos adultos que vão assistir junto.

Além disso, há um componente de realismo pouco comum nas animações do estúdio. Em vez de mundos fantásticos ou viagens ao passado, a série acontece no agora. Os personagens têm celulares, acessam redes sociais, vivem num ambiente escolar reconhecível e encaram situações que poderiam estar acontecendo em qualquer bairro.

Essa proximidade com a realidade torna tudo mais potente: quando Laurie faz o sinal da cruz antes de uma jogada, ou quando um colega lida com a cobrança silenciosa de seus pais, o impacto é imediato. São cenas pequenas que dizem muito.

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Série do Disney+ “Ganhar ou Perder”

Simples, mas certeira

Com apenas oito episódios, Ganhar ou Perder não tenta ser grandiosa — e talvez por isso funcione tão bem. A série escolhe um recorte específico e se dedica a ele com carinho. Não há pressa, não há lição de moral esfregada na cara do público. Há humanidade. Há espaço para dúvidas, para derrotas, para recomeços.

No episódio de Laurie, por exemplo, mesmo diante do pavor que sente, ela não desiste. Reza. Respira. Enfrenta. E no fim, ouve do pai algo essencial: “divirta-se e acredite em si mesma”. Só isso já basta para reacender a confiança.

A metáfora do jogo serve como pano de fundo para questões muito maiores: como formar autoestima? Como lidar com a pressão sem se deixar paralisar? Como conviver com a fé mesmo em momentos de incerteza? Laurie e seus colegas não têm todas as respostas — e nem precisam ter. O que essa série mostra é que a caminhada vale tanto quanto a vitória. Talvez até mais.

A série “Ganhar ou Perder” possui 8 episódios e está disponível no streaming do Disney+. Assista ao trailer abaixo:

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