Thriller da Netflix que transforma dívidas em crime e o sonho americano em pesadelo é imperdível

Com um roteiro tenso e uma atuação magnética de Aubrey Plaza, o filme aborda a precariedade do mercado de trabalho, a crise das dívidas estudantis e a fragilidade do sistema econômico dos Estados Unidos.

Fernanda Cappellesso
Por Fernanda Cappellesso
Thriller da Netflix  que transforma dívidas em crime e o sonho americano em pesadelo é imperdível
‘Emily, A Criminosa’ explora o desespero de endividados frente ao capital transnacional

Lançado em 2022 e atualmente disponível na Netflix, Emily a Criminosa (Emily the Criminal) é um thriller eletrizante que desafia as convenções do gênero ao trazer um comentário social afiado sobre a desesperança da classe trabalhadora americana. Escrito e dirigido por John Patton Ford, o longa reflete a crescente angústia de uma geração afogada em dívidas e sem perspectivas econômicas sólidas.

advertising

A protagonista, Emily Benetto (Aubrey Plaza), representa a realidade de milhões de jovens que ingressam no mercado de trabalho carregando um fardo financeiro que parece inescapável. Formada, mas sem oportunidades reais de emprego devido a uma pequena ficha criminal, ela é empurrada para os becos sombrios do crime de colarinho branco.

Mas Emily a Criminosa não se contenta em ser apenas um suspense sobre golpes financeiros. Ele se insere em um contexto muito maior: a desconstrução do chamado “sonho americano”. O filme questiona o ideal meritocrático e expõe um sistema que penaliza os marginalizados enquanto enriquece os grandes conglomerados.

advertising

Enredo: de vendedora informal a criminosa profissional na Netflix

Emily Benetto trabalha em empregos temporários e mal remunerados, acumulando uma dívida estudantil que ultrapassa US$ 70 mil – uma realidade alarmante nos Estados Unidos, onde as universidades custam fortunas e o pagamento do financiamento pode levar décadas.

Ao perceber que suas opções de trabalho legal são escassas, ela recebe uma proposta inusitada de um conhecido: participar de um esquema de fraude de cartões de crédito. O golpe parece simples: usar cartões clonados para comprar produtos caros e revendê-los no mercado ilegal. No início, Emily hesita, mas logo percebe que essa pode ser sua única saída para sobreviver.

O mentor da operação é Youcef (Theo Rossi), um imigrante que também busca seu lugar no mundo. Ele ensina Emily a operar no submundo da criminalidade, e o que começa como um pequeno crime isolado logo se transforma em um caminho sem volta. Conforme ela mergulha cada vez mais fundo, sua vida se torna um jogo perigoso de poder, violência e risco constante.

O impacto de Aubrey Plaza: do humor ao drama intenso 

Conhecida principalmente por seus papéis cômicos em Parks and Recreation e Ingrid Goes West, Aubrey Plaza entrega aqui uma de suas performances mais intensas e multifacetadas. Sua atuação carrega o filme do início ao fim, transformando Emily em uma protagonista ambígua: ao mesmo tempo que o público torce por ela, também se questiona sobre suas decisões.

advertising

Plaza constrói uma personagem crua, realista e sem glamourização da criminalidade. Emily não é uma típica “vilã carismática” do cinema, mas uma mulher comum forçada a tomar decisões extremas. Sua interpretação traz nuances de revolta, desespero e ambição, elementos que tornam a narrativa ainda mais instigante.

A crítica social por trás do suspense

Emily a Criminosa se destaca por abordar temas urgentes e contemporâneos:

  • Dívidas estudantis: O filme joga luz sobre um problema que atinge mais de 45 milhões de americanos. O peso financeiro da educação universitária nos Estados Unidos é um dos principais fatores que levam jovens a situações de vulnerabilidade econômica.
  • Exploração trabalhista: Emily busca empregos convencionais, mas se depara com um mercado que oferece apenas estágios não remunerados e trabalhos precarizados – uma realidade para milhões de trabalhadores ao redor do mundo.
  • Criminalidade como saída para a desigualdade: O longa questiona se Emily realmente escolheu o crime ou se foi empurrada para ele. Com poucas opções legítimas, ela encontra no esquema fraudulento uma forma de se reerguer.

A crítica internacional recebeu o filme de forma positiva, elogiando sua abordagem realista e a forma como ele evita cair em maniqueísmos simplistas. Em vez de condenar ou glorificar sua protagonista, o roteiro opta por mostrar a criminalidade como um reflexo de um sistema quebrado.

Estética, trilha sonora e direção: uma atmosfera crua e imersiva

A direção de John Patton Ford evita exageros estilísticos. A câmera segue Emily de perto, criando um senso de urgência e realismo. A fotografia aposta em tons frios e iluminação natural, refletindo a dureza do mundo em que a protagonista se encontra.

A trilha sonora é minimalista, dando espaço para o som das ruas de Los Angeles, os ruídos dos cartões sendo clonados e o silêncio tenso dos momentos de perigo. Essa escolha reforça a sensação de que Emily poderia ser qualquer pessoa – e que sua história, longe de ser excepcional, é uma realidade cotidiana para muitos.

Recepção crítica e impacto cultural

O filme recebeu 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, com críticos elogiando sua construção de tensão e sua crítica social afiada. No Metacritic, a nota média ficou em 75/100, destacando a atuação de Plaza como um dos pontos altos.

Além disso, Emily a Criminosa tem sido usado como referência em debates sobre a precarização do trabalho e o impacto das dívidas estudantis. Seu realismo brutal e a ausência de um final convencional reforçam a sensação de que a história de Emily não é apenas um enredo de ficção – é um retrato de uma geração que luta para sobreviver em um sistema desigual.

Vale a pena assistir?

Se você gosta de thrillers tensos, realistas e carregados de crítica social, Emily a Criminosa é uma excelente escolha. O filme não segue os moldes tradicionais de ação, mas entrega um suspense psicológico envolvente, sustentado por atuações impecáveis e uma abordagem honesta sobre as falhas do capitalismo moderno.

No final, a grande pergunta que o longa deixa para o espectador é: até que ponto a criminalidade é uma escolha, e até que ponto é uma necessidade?

Com a força da narrativa e a performance inesquecível de Aubrey Plaza, Emily a Criminosa se firma como um dos melhores thrillers sociais dos últimos anos – um filme que instiga, incomoda e continua ecoando mesmo depois dos créditos finais.

Leia também:

Comédia romântica levinha mostra o encanto do Peru e os clichês que amamos na Netflix

Siga o Curta Mais no Google News

Receba nosso conteúdo em primeira mão

★ Seguir

Newsletter

Receba as melhores dicas e notícias da cidade na palma da mão!

    Qual a nota desse conteúdo?

    De 1 a 10, diga o quanto você curtiu essa leitura:

    PublicidadePublicidade