Fruto do Cerrado goiano ganha fama como ‘tadalafila natural’

Entre os frutos mais emblemáticos do Cerrado brasileiro, o baru vem conquistando espaço muito além da culinária regional. Rico em nutrientes e cada vez mais estudado pela ciência, ele ganhou fama nas redes sociais por ser chamado de “tadalafila natural”. No entanto, especialistas alertam que essa comparação deve ser vista com cautela. O alimento não substitui medicamentos nem apresenta efeito imediato, mas pode contribuir para a saúde sexual e o bem-estar quando faz parte de uma alimentação equilibrada.
Originário do segundo maior bioma da América do Sul, o baru (Dipteryx alata) produz uma castanha de sabor marcante e textura crocante. Nos últimos anos, o ingrediente passou a despertar interesse da gastronomia, da indústria de alimentos e até do mercado internacional. Além disso, pesquisas conduzidas por instituições como a Embrapa destacam seu elevado valor nutricional e seu potencial econômico para comunidades do Cerrado.

Foto: Divulgação
Por que o baru ganhou fama?
A popularidade do baru está relacionada principalmente à sua composição nutricional. A castanha concentra boas quantidades de zinco, mineral associado à produção de testosterona e ao funcionamento adequado do organismo. Além disso, fornece gorduras insaturadas, antioxidantes e proteínas vegetais.
Esses nutrientes podem favorecer a circulação sanguínea, auxiliar no equilíbrio hormonal e contribuir para a manutenção da saúde sexual ao longo do tempo. Entretanto, diferentemente da tadalafila, medicamento indicado para tratar disfunção erétil, o baru não provoca um efeito farmacológico imediato. Seu benefício está ligado ao consumo frequente dentro de hábitos saudáveis.

Foto: Divulgação
Um alimento completo
O destaque do baru vai muito além da libido. A castanha reúne características que a colocam entre os alimentos mais nutritivos produzidos no Cerrado.
Ela oferece proteínas vegetais importantes para a manutenção da massa muscular e para diversas funções do organismo. Também apresenta alta concentração de fibras, que ajudam no funcionamento do intestino, aumentam a sensação de saciedade e colaboram para o controle da glicemia e do colesterol.
Outro diferencial está na presença de antioxidantes naturais. Esses compostos ajudam a combater os radicais livres, reduzindo danos celulares associados ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças crônicas.
Além disso, o baru fornece minerais como magnésio, fósforo, ferro e cálcio, fundamentais para a saúde dos ossos, da musculatura e do sistema cardiovascular.
Benefícios também chegam à pele e aos cabelos
O óleo extraído da castanha de baru também ganhou espaço na indústria cosmética. Rico em ácidos graxos essenciais, ele apresenta propriedades hidratantes e pode auxiliar na recuperação da barreira natural da pele.
Leia também: Pirenópolis ganha novo festival com Gloria Groove, Seu Jorge, BaianaSystem e Marcelo D2
Nos cabelos, o óleo ajuda na nutrição dos fios, reduz o ressecamento e contribui para diminuir a quebra. Por isso, diversos produtos naturais já utilizam o ingrediente em fórmulas voltadas para hidratação e fortalecimento capilar.
Como incluir o fruto baru na alimentação
Versátil, o baru pode ser consumido torrado como aperitivo ou utilizado em diferentes receitas. A castanha aparece em saladas, farofas, granolas, pães, bolos e sobremesas. Sua farinha também vem sendo utilizada em preparações sem glúten.

Foto: Divulgação
Além disso, o óleo de baru pode ser empregado como tempero em pratos frios, oferecendo sabor característico e boas gorduras para a dieta.
Um símbolo da biodiversidade brasileira
Mais do que um fruto nutritivo, o baru representa a riqueza do Cerrado e reforça a importância da preservação do bioma. O aumento da procura pelo fruto também abre oportunidades para agricultores familiares e comunidades tradicionais, que encontram na exploração sustentável uma alternativa de geração de renda.
Embora estudos indiquem diversos benefícios associados ao consumo do baru, especialistas recomendam evitar promessas milagrosas. Como qualquer alimento, seus efeitos dependem da frequência de consumo, da alimentação como um todo e do estilo de vida adotado.