Gaia: UFG desenvolve IA revolucionária para o Google

Ferramenta foi anunciada durante o evento Google for Brasil e já está disponível gratuitamente para desenvolvedores

Thaís Muniz
Por Redação Curta Mais
Gaia: UFG desenvolve IA revolucionária para o Google
Mat Velloso, vice-presidente de IA do Google Deepmind em lançamento da Gaia | Foto: Divulgação

A cena da inteligência artificial no Brasil acaba de ganhar um novo protagonista — e ele fala português com fluência nativa. O nome é Gaia, um modelo de IA de código aberto desenvolvido em uma colaboração entre o Google e a Universidade Federal de Goiás (UFG). O anúncio foi feito nesta terça-feira (10), durante o evento Google for Brasil, em São Paulo.

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O Gaia já pode ser usado por qualquer desenvolvedor ou instituição no País. Com tecnologia voltada para o idioma português falado no Brasil, o modelo promete auxiliar desde tarefas simples, como resumos e tradução, até aplicações mais robustas, como análises em bancos de dados e construção de assistentes virtuais.

Criado com base nos modelos abertos da família Gemma, o Gaia está integrado ao Vertex AI Model Garden, do Google Cloud, e também disponível na plataforma Hugging Face. O projeto é resultado direto da parceria entre o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) da UFG, o Google DeepMind, startups como Amadeus AI e Nama, além da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (ABRIA).

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Gaia

Parceria foi anunciada no Google For Brasil Foto: Bruna Arimathea/Estadão

UFG lidera avanço com foco na realidade brasileira

A Universidade Federal de Goiás foi a primeira instituição do País a criar um curso superior específico em inteligência artificial. Desde 2019, o Ceia, sediado na UFG, já atua com dezenas de projetos ligados ao tema e se tornou referência nacional. Um dos coordenadores do Gaia, o professor Celso Camilo, destacou a importância do novo modelo: “O desenvolvimento de um modelo melhor adaptado para o português do Brasil atende à necessidade de soluções de IA que sejam aprimoradas com nuances linguísticas do Brasil”.

Segundo Camilo, a proposta é garantir maior precisão e naturalidade nas respostas. Isso porque modelos tradicionais, mesmo quando traduzem do inglês para o português, podem perder parte da semântica original. “Temos convicção de que podemos apresentar uma IA desenvolvida especificamente para o português com qualidade. É uma prova de desempenho e talento de Goiás e do Brasil”, disse ele em entrevista ao Estadão.

A adaptação da tecnologia foi feita a partir do Gemma 3, a versão mais recente da coleção de modelos abertos desenvolvida pelo Google. O diferencial está justamente na customização: o Gaia foi treinado com dados e contextos voltados ao Brasil, oferecendo uma alternativa às opções existentes, como o Sabiá, da Maritaca AI, e o Tucano, criado por Nicholas Kluge na Universidade de Bonn, na Alemanha.

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Setor público e privado já estão usando o Gaia

O Gaia já está em uso por diversas organizações que buscam soluções baseadas em inteligência artificial. O Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), por exemplo, testa o modelo para identificar padrões de similaridade em processos administrativos. Já o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) explora o potencial da ferramenta para auxiliar na extração de dados de editais e documentos públicos.

Na área da saúde, a Unimed Fesp está utilizando o Gaia para validar diagnósticos de discopatia em prontuários médicos. No setor de tecnologia e atendimento ao cliente, empresas como BeNext e BHub desenvolvem chatbots e outras aplicações com suporte do modelo. Também está entre os usuários o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), que aplica o Gaia na área de educação.

Luciano Martins, líder técnico da DeepMind no Brasil, afirma que a intenção é ampliar o acesso à tecnologia. “Ao lado de pesquisadores e dos nossos parceiros brasileiros, queremos ajudar a democratizar o acesso à IA de alta qualidade e capacitar desenvolvedores e organizações em mercados-chave como o Brasil”, afirmou.

Segundo a equipe responsável, há planos de continuar o desenvolvimento do Gaia em versões maiores, com ainda mais recursos. A ideia é manter o código aberto e incentivar a comunidade acadêmica e tecnológica do País a contribuir com melhorias.

A participação da UFG no projeto também serve como vitrine para o potencial científico e tecnológico do Estado de Goiás. Além do professor Celso Camilo, o projeto tem como coordenador o professor Sávio Teles, que antes de ingressar na universidade trabalhou com ciência de dados em empresas como JusBrasil e GoGeo.

A Amadeus AI, uma das startups envolvidas, foi criada por André Borsoi e Marcellus Amadeus, que já atuaram com aplicativos de transporte corporativo e IA para experiência do consumidor. Já a Nama, especializada em plataformas de atendimento com IA, tem entre seus clientes empresas como Bradesco, Magazine Luiza e Grupo Pão de Açúcar.

Todas essas organizações, junto à UFG, integram a ABRIA, entidade que também participa do projeto Gaia. O modelo, segundo os criadores, continuará sendo atualizado com base nas demandas e usos reais no Brasil, sempre com foco em soluções que compreendam o idioma e o contexto local.

O Gaia, embora recente, surge em um momento de efervescência da IA no País. Na semana passada, o banco Itaú lançou o Aroeira, um conjunto de dados em português, também com código aberto. A tendência é de expansão da presença da IA nacional, com foco em aplicações práticas que atendam às especificidades brasileiras — e o Gaia já se apresenta como um dos pilares dessa nova fase.

 

 

 

 

 

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