Goiás guarda um segredo subterrâneo; conheça o novo destino de aventura no Cerrado

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
Goiás guarda um segredo subterrâneo; conheça o novo destino de aventura no Cerrado
Goiás revela seu mundo subterrâneo: mais de mil cavernas para explorar. Foto: Governo de Goiás

Conhecido por seus campos de Cerrado, cachoeiras exuberantes e parques gramados, o estado de Goiás agora começa a se revelar também por baixo da superfície. Com mais de 1.100 cavidades naturais catalogadas, o território descobre um novo filão turístico: o espeleoturismo.

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Segundo levantamento do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav/ICMBio), Goiás registra 1.136 cavernas, o que corresponde a cerca de 4,36% da totalidade nacional. O número posiciona o estado entre os cinco com maior concentração dessas formações no país.

Descubra as cavernas de Goiás: turismo subterrâneo ganha força no Cerrado. Foto: Agência Cora

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Um novo horizonte sob o Cerrado

Entre os casos mais emblemáticos está o Parque Estadual da Terra Ronca, no município de São Domingos, um dos maiores complexos espeleológicos da América Latina, com mais de 250 cavernas identificadas em uma área de cerca de 57 mil hectares.

Além dele, outras formações, como a Gruta dos Ecos, em Cocalzinho de Goiás, e a Lapa do Reinaldo, em Posse, também atraem visitantes interessados em descobrir o mundo abaixo do solo.

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O apelo é evidente. O turismo subterrâneo surge como uma proposta que une aventura, ciência e contemplação: o visitante percorre trilhas na superfície, contempla a vegetação típica do Cerrado e depois adentra cavernas onde o silêncio e a rocha formam cenários inesperados.

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Para Goiás, trata-se de uma forma de diversificar sua oferta turística, estender a permanência dos visitantes e aproveitar um patrimônio que até agora estava em larga medida fora do radar comercial.

Das trilhas de superfície ao vazio escondido: como o turismo subterrâneo pode se tornar alternativa sustentável em Goiás. Foto: Governo Federal

Turismo de aventura pede responsabilidade

Contudo, especialistas advertem que esse segmento exige cuidados. A espeleóloga e professora do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG), Renata Momoli, alerta que “o turismo pode ser um aliado ou um fator de degradação das cavernas, a depender de como é realizado”.

Ela ressalta que a falta de capacitação, a negligência em visitas guiadas ou equipamentos inadequados elevam os riscos – tanto para a segurança das pessoas quanto para a conservação dos ambientes subterrâneos.

Além das cachoeiras: o turismo em cavernas que está transformando Goiás. Foto: Divulgação

Pesquisa é essencial para visitação segura

A pesquisa desempenha papel central nesse cenário. Para Momoli, “as pesquisas são fundamentais para que haja o bom planejamento de uso turístico nas cavernas. Pois a pesquisa pode apontar locais de risco geotécnico, como deslizamentos, abismos e queda de blocos e teto, e risco biológico, como presença de vírus, bactérias e fungos causadores de doenças como a histoplasmose”.

Em adição, o Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico Brasileiro (2024) revela que quase 44% das cavernas do país estão em áreas pleiteadas por mineração – fato que reforça a urgência de políticas que conciliem preservação e uso sustentável.

Equilíbrio entre natureza e desenvolvimento local

Na prática, o estado precisa avançar em estruturação: guias qualificados, trilhas seguras, limitação de carga de visitantes e sistemas de monitoramento ambiental. O turismo de superfície e o subterrâneo podem convergir: imagine um pacote que combine cachoeira pela manhã, caminhada no Cerrado à tarde e, ao cair da noite, visita a uma caverna iluminada.

Esse tipo de proposta amplia a oferta turística e encaixa-se bem no perfil de quem busca experiências diferenciadas, próximas à natureza e “fora do circuito tradicional”.

Para os municípios com cavernas, há oportunidade de gerar emprego, fortalecer roteiros ecológicos e dinamizar a economia local. O modelo, no entanto, deve evitar os erros já vistos em outros destinos — superlotação, impacto ambiental, sinalização deficiente e segurança negligenciada — e buscar equilíbrio entre visitação, lucro e conservação.

Um mergulho subterrâneo em Goiás

Em resumo, Goiás está no limiar de uma nova rota turística – sub-terra – que pode acrescentar valor e singularidade ao seu mapa de natureza. Com mais de mil cavernas catalogadas, o potencial existe; o desafio, agora, é transformá-lo em visitação responsável, segura e sustentável.

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