Conheça fatos surpreendentes sobre ‘Senna’ que parecem ficção

"Senna não foi apenas um dos maiores pilotos, mas também um filósofo, que compartilhava sua visão sobre os perigos da profissão e sua própria mortalidade", Andrew Benson

Julia Macedo
Por Julia Macedo
Conheça fatos surpreendentes sobre ‘Senna’ que parecem ficção
Foto: Senna

A nova série documental da Netlix Senna chegou ao streaming nesta sexta-feira (29). Baseada na história real do Herói Nacional, a obra de ficção mostra diálogos e situações imaginadas pelos roteiristas e criadores.

advertising

Alguns momentos da série mostram Ayrton Senna em situações íntimas com sua namorada Xuxa, brincando com o amigo Galvão Bueno e interagindo com amigos de infância.

Entretanto, muitos desses episódios são fictícios. Por exemplo, a jornalista britânica Laura Harrison, uma das personagens centrais, nunca existiu e serve na trama como um reflexo das percepções públicas sobre Senna na época.

advertising

Por outro lado, a série também retrata com precisão vários aspectos da vida real do piloto, baseando-se em depoimentos e registros em vídeo sobre o piloto.

Parte desses fatos podem parecer exageros, mas a própria vida e carreira de Senna são repletas de momentos tão impressionantes que beiram o inacreditável.

Com apenas três títulos mundiais, Senna não é o maior campeão da história da F1. O brasileiro está atrás de pilotos como Michael Schumacher e Lewis Hamilton, ambos com sete, e Alain Prost, seu maior rival nas pistas, que conquistou quatro campeonatos.

Sua “imortalidade” parte da habilidade excepcional em pistas molhadas. Sua capacidade de controlar o carro em condições de chuva, como nas vitórias no GP de Mônaco.

advertising

Ele era conhecido por sua intensidade nas corridas e pela dedicação total ao esporte, sempre em busca da perfeição. Mestre em voltas rápidas, conquistou um número recorde de poles (65).

Nunca hesitou em arriscar para conquistar vitórias. Sua coragem, especialmente em disputas de ultrapassagens e em confrontos com outros pilotos, sempre impressionou os fãs e especialistas.

A rivalidade com Alain Prost, um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1, elevou a imagem de Senna, mostrando sua capacidade de competir com os melhores e, muitas vezes, superá-los.

Senna também é lembrado por seu impacto fora das pistas, com seu trabalho filantrópico e o legado que deixou para a Fórmula 1. Sua morte prematura aumentou sua mística, tornando-o um ícone não só no Brasil, mas mundialmente.

Trinta anos após sua morte, Ayrton Senna ainda é considerado um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1, frequentemente no topo das listas de melhores, e continua a inspirar gerações de pilotos.

Como escreveu o jornalista Andrew Benson, “Senna não foi apenas um dos maiores pilotos, mas também um filósofo, que compartilhava sua visão sobre os perigos da profissão e sua própria mortalidade”.

Conheça abaixo oito curiosidades da vida do brasileiro mostrados na série Senna que são tão inacreditáveis que parecem ficção.

1. Vítima do sistema

A série e outras biografias retratam Ayrton Senna como vítima de um sistema que favorecia pilotos europeus, especialmente por interesses de fabricantes de carros. Senna é mostrado superando não só rivais nas pistas, mas também manobras políticas fora delas.

No primeiro episódio, ele perde o campeonato mundial de kart para Peter Koene, apesar de ambos terem empatado em pontos.

O brasileiro acreditava que o critério de desempate era a vitória na bateria final, mas a FIA optou pelas semifinais, onde Koene teve melhor desempenho. Essa derrota em 1979 foi uma das grandes decepções de Senna.

2. Desistência prematura

A série destaca um desafio inicial na carreira de Senna: o apoio limitado da família às suas ambições. Em 1981, com 20 anos, ele se mudou para a Inglaterra com a esposa Lilian para competir na Formula Ford 1600.

A estreia foi um sucesso. Senna conquistou 12 vitórias em 19 corridas, tornando-se campeão logo no primeiro ano, atraindo a atenção de grandes equipes. Porém, rivalidades com colegas começaram a surgir, como com o argentino Enrique Mansilla, que o atingiu em uma corrida, gerando um confronto entre os dois.

Apesar da temporada vitoriosa, Senna surpreendeu ao anunciar sua aposentadoria. Sua esposa não se adaptava à vida na Inglaterra, e ele decidiu retornar ao Brasil para ajudar nos negócios da família.

3. Concerto do carro na pista

Em 1983, Senna voltou à Europa focado em sua meta de chegar à Fórmula 1. No ano anterior, foi campeão europeu e britânico de Fórmula Ford 2000, e em 1983 conquistou o título da Fórmula 3, após uma rivalidade intensa com Martin Brundle.

O campeonato foi decidido na última corrida, em Thruxton. Para vencer, Senna usou uma tática ousada: sua equipe colocou fitas adesivas no radiador para aquecer o óleo rapidamente.

Quando o motor superaqueceu, Senna, com o cinto afrouxado, arrancou as fitas com as mãos, durante uma chicana. A manobra deu certo e ele venceu a corrida e o campeonato.

Essa temporada consolidou a lenda de Senna, que bateu o recorde de vitórias da Fórmula 3 e recebeu convites para testar carros de equipes da Fórmula 1.

4. Vitória na chuva

Em 1984, Senna estreou na Fórmula 1 com a modesta equipe Toleman, após não conseguir vaga em uma das grandes equipes. Sua primeira corrida, no GP do Brasil, terminou com a falha do motor na oitava volta.

No GP de Mônaco, uma das corridas mais lendárias de sua carreira, Senna brilhou. Largando em 13º, ele fez uma impressionante recuperação em meio à chuva, superando várias Ferraris e encurtando a distância para o líder, Alain Prost.

A corrida foi interrompida na volta 32, e Prost foi declarado vencedor, mas muitos consideraram Senna o verdadeiro vencedor, já que ele estava na frente na última volta antes da bandeira vermelha.

Com um carro pouco competitivo, Senna ainda registrou a volta mais rápida e provou sua habilidade em pistas molhadas. Sua primeira vitória viria no GP de Estoril de 1985, já com a Lotus.

5. Batida em Mônaco

Em 1987, Senna venceu em Mônaco com a Lotus e se consagraria como o “rei de Mônaco”, com cinco vitórias consecutivas entre 1989 e 1993, superando o recorde de Graham Hill.

No entanto, em 1988, ao volante da McLaren, Senna sofreu um grande fracasso em Mônaco.

Após conquistar a pole com uma diferença de 1,5 segundo para seu companheiro de equipe, Alain Prost, e liderar a corrida com mais de 50 segundos de vantagem, ele cometeu um erro e bateu sozinho na volta 67.

Abatido, Senna se retirou para seu apartamento sem falar com a equipe, e Prost venceu a prova.

Apesar disso, 1988 foi um ano de sucesso para Senna, que conquistou 13 poles, venceu oito corridas e finalmente alcançou seu primeiro título mundial.

6. Desclassificação no Japão e perca de título

A penúltima corrida de 1989, no Japão, foi marcada por polêmica. Senna precisava vencer para manter suas chances de título. Na volta 47, ao tentar ultrapassar Prost, ambos se tocaram e Prost abandonou.

Porém, Senna pediu ajuda para retomar a corrida, e, após ser empurrado, voltou à pista.

Senna voltou aos boxes, trocou o bico do carro e, nas duas últimas voltas, ultrapassou Alessandro Nannini para vencer a corrida.

No entanto, foi desclassificado por “cortar a chicane” após o acidente com Prost, já que retornou à pista após a curva, e não no ponto do incidente.

Senna acusou Jean-Marie Balestre, presidente da federação, de favorecer Prost. Além disso, foi multado em US$ 100 mil e suspenso por seis meses, embora a suspensão tenha sido posteriormente suspensa.

7. Batida em Prost rendeu um título

Em 1990, o campeonato mundial foi decidido novamente no Grande Prêmio do Japão, com Senna e Prost, agora na Ferrari, disputando o título. Senna chegou à corrida com a vantagem, podendo ser campeão caso Prost não pontuasse.

Antes da prova, Senna pediu à direção de prova que alterasse a posição de largada do pole position, já que em alguns circuitos o lado “sujo” da pista prejudicava quem largava em primeiro. Embora a mudança tenha sido inicialmente aprovada, ela foi revertida a pedido de Jean-Marie Balestre.

No início da corrida, Senna e Prost colidiram na primeira curva, o que garantiu o título a Senna. O brasileiro foi criticado por muitos e, anos depois, admitiu que a colisão foi intencional, como uma forma de “reparação” pelo ocorrido no ano anterior.

Prost chamou a atitude de Senna de “nojenta” e afirmou não querer lutar contra “pessoas irresponsáveis”. Senna respondeu: “Não dou a mínima para o que ele diz. Ele tentou me destruir, mas não vai conseguir.”

8. Vitória épica em Interlagos com uma de seis marchas

Em 1991, já bicampeão, Senna conquistou sua primeira vitória no GP do Brasil. Largando da pole, ele liderou até que Nigel Mansell, da Williams, começasse a reduzir a diferença, mas o carro do inglês quebrou.

Senna, com dificuldades, perdeu quase todas as marchas, restando apenas a sexta. Mesmo assim, terminou a corrida apenas 3 segundos à frente de Patrese, vencendo sob grande esforço, com imagens icônicas de sua dificuldade para levantar o troféu.

 

O Curta Mais está no WhatsApp!

Entre no canal e acompanhe notícias e dicas

Siga o Curta Mais no Google News

Receba nosso conteúdo em primeira mão

★ Seguir

Newsletter

Receba as melhores dicas e notícias da cidade na palma da mão!

    Qual a nota desse conteúdo?

    De 1 a 10, diga o quanto você curtiu essa leitura:

    PublicidadePublicidade
    PublicidadePublicidade