Espetáculo infantil de Goiás conquista espaço em festival internacional na Guiné-Bissau

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
Espetáculo infantil de Goiás conquista espaço em festival internacional na Guiné-Bissau
Grupo de Aparecida de Goiânia leva arte, imaginação e diversidade ao DJINTIS 2025, em Bissau. Foto: Pablo Lopes

Quando uma obra feita em comunidade atravessa fronteiras, algo poderoso acontece. E foi exatamente isso que movimentou os bastidores do Coletivo Justina nos últimos dias. O grupo, sediado em Aparecida de Goiânia, desembarcou em Bissau para apresentar o espetáculo infantil “Dr. Raimundo” no Festival DJINTIS 2025, um dos eventos culturais mais vibrantes da Guiné-Bissau. As apresentações acontecem nos dias 19 e 21 de novembro, sempre às 15h, no Instituto Guimarães Rosa.

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Arte que viaja e conecta continentes até Bissau

A viagem marca mais do que uma circulação artística. Marca uma travessia simbólica. A peça, criada para crianças a partir de 3 anos, educadores e amantes da infância, chega ao continente africano como parte do projeto Territórios Emergentes, contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc. Assim, além de ampliar o alcance do grupo, a circulação fortalece o intercâmbio cultural entre Brasil, América Latina e África. Sendo assim, cria novas pontes e inspira diálogos que atravessam línguas, gestos e histórias.

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Bissau

O segredo por trás da viagem do Coletivo Justina a um dos festivais culturais mais vibrantes na Guiné-Bissau. Foto: Justina Coletivo

O encanto de “Dr. Raimundo”

“Dr. Raimundo” tem 90 minutos de encantamento. A narrativa acompanha um menino que vive a solidão de ser diferente. Por meio do teatro de formas animadas, contação de histórias e elementos lúdicos, a encenação provoca conversas suaves sobre empatia, criatividade e diversidade. Além disso, a coprodução com o Teatro Ludos reforça o elo artístico entre instituições brasileiras e guineenses, ampliando a troca de saberes que nasce do encontro entre culturas.

O segredo por trás da viagem do Coletivo Justina a um dos festivais culturais mais vibrantes da Guiné-Bissau. Foto: Divulgação

O caminho do Justina pelo mundo

O Coletivo Justina carrega uma trajetória que combina ancestralidade, território e experimentação. Fundado em 2016, o grupo se consolidou como ponto de cultura itinerante, conectando artistas de várias regiões do mundo. Entre ações de formação, criação e difusão, o coletivo costura memórias coletivas e práticas colaborativas em espetáculos, performances, artesanato, literatura e audiovisual. Ou seja, a arte surge do encontro comunitário — e retorna à comunidade tecendo novas camadas.

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Espetáculo infantil marca presença brasileira em festival multicultural que conecta América Latina e África. Foto: Divulgação

Goiás no cenário internacional das artes cênicas

Com a participação no DJINTIS, Goiás se projeta novamente no cenário internacional das artes cênicas, em Bissau. Além disso, o festival integra o projeto Ur-GENTE, financiado por instituições culturais europeias e africanas, reunindo artistas de distintos países para dialogar sobre identidade, diversidade e futuro. Nesse sentido, a presença do Justina vai além da apresentação: é um gesto de aproximação entre continentes que compartilham diálogos históricos, afetivos e culturais.

No fim das contas, é inspirador ver um trabalho nascido em Aparecida de Goiânia ecoar tão longe até chegar a Bissau. A arte que brota da comunidade não apenas viaja. Ela atravessa oceanos para lembrar que, onde há histórias bem contadas, há sempre alguém disposto a escutar.

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