O lugar onde nasceu a lenda de “Chico Mineiro” pode ser visitado em Goiás

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
O lugar onde nasceu a lenda de “Chico Mineiro” pode ser visitado em Goiás
Foto: Marcos Silva

Poucos lugares conseguem reunir, ao mesmo tempo, história, música, tradição popular e paisagens do Cerrado, como a história do Chico Mineiro. No Caminho de Cora Coralina, um dos roteiros turísticos mais emblemáticos de Goiás, existe um ponto que faz exatamente isso. Próxima às ruínas do antigo Arraial de Ouro Fino, uma simples cruz de madeira guarda uma história que atravessou gerações e inspirou uma das canções mais conhecidas da música sertaneja de raiz.

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Quem passa pelo local costuma diminuir o ritmo da caminhada. Cercada por flores e protegida por uma pequena cerca, a Cruz de Chico Mineiro desperta curiosidade antes mesmo de revelar sua história. Para muitos viajantes, trata-se apenas de um marco à beira da estrada. Para os amantes da cultura caipira, porém, ela representa um dos maiores símbolos da tradição sertaneja brasileira.

Chico Mineiro

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Um marco entre a história e a lenda

A Cruz de Chico Mineiro está localizada na região de Calcilândia, na zona rural da cidade de Goiás, muito próxima às ruínas do antigo Arraial de Ouro Fino. O local integra oficialmente o inventário turístico do Caminho de Cora Coralina e é reconhecido como um dos atrativos históricos do roteiro.

Segundo a tradição popular, Francisco Ribeiro, conhecido como Chico Mineiro, foi baleado em 27 de maio de 1925 nas proximidades de Ouro Fino. Mesmo ferido, conseguiu cavalgar por cerca de um quilômetro até cair exatamente onde hoje está a cruz.

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Desde então, moradores e visitantes mantêm o costume de deixar flores, fazer orações e acender velas em homenagem ao boiadeiro.

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Nos últimos dias, o local voltou a ganhar destaque após um vídeo publicado pelo influenciador Marcos Silva mostrar o monumento durante sua travessia pelo Caminho de Cora Coralina, despertando a curiosidade de milhares de pessoas sobre a origem da história.

A canção que eternizou Chico Mineiro

Mais de duas décadas depois da morte de Francisco Ribeiro, sua história ganhou projeção nacional.

Em 1946, Tonico e Tinoco lançaram “Chico Mineiro”, música que se transformou em um dos maiores clássicos da moda de viola e ajudou a popularizar a música sertaneja em todo o país.

Na narrativa da canção, dois boiadeiros seguem viagem pelo interior goiano para participar de uma Festa do Divino. Durante o percurso, Chico Mineiro é morto. Apenas depois da tragédia, o narrador descobre que o companheiro era, na verdade, seu irmão.

Ao longo das décadas, a música ultrapassou o universo sertanejo e passou a integrar o imaginário popular brasileiro, fortalecendo ainda mais a ligação entre Goiás e essa história.

Ouro Fino guarda parte da origem de Goiás

Muito antes de inspirar uma canção, Ouro Fino já ocupava um papel importante na formação do estado.

Fundado em 1727 por Bartolomeu Bueno da Silva Filho durante o ciclo do ouro, o arraial foi um dos primeiros núcleos de povoamento da antiga Capitania de Goiás. Com o declínio da mineração, acabou abandonado.

Hoje, quem visita o sítio arqueológico encontra vestígios das antigas construções, trechos de paredes de taipa, alicerces e as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, testemunhos silenciosos de um período decisivo para a ocupação da região.

Em 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou obras de estabilização das ruínas para garantir a preservação do patrimônio histórico.

Um dos lugares mais simbólicos do Caminho de Cora Coralina

Com aproximadamente 300 quilômetros de extensão, o Caminho de Cora Coralina liga Corumbá de Goiás à cidade de Goiás. O percurso atravessa oito municípios, fazendas centenárias, paisagens preservadas do Cerrado e antigos povoados que ajudam a contar a história do estado.

Inspirado na vida e na obra da poeta Cora Coralina, o roteiro une turismo, literatura, gastronomia, natureza e patrimônio histórico.

Entre todas as paradas do caminho, poucas conseguem reunir tantos elementos da identidade goiana quanto Ouro Fino e a Cruz de Chico Mineiro. De um lado, permanecem as marcas do ciclo do ouro. Do outro, sobrevive uma história que encontrou na música uma forma de atravessar o tempo.

Quem visita o local descobre que algumas memórias permanecem vivas não apenas nos livros, mas também nas canções e nas paisagens que fazem parte da história de Goiás.

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