Nasa revela a forma real da Terra e imagem surpreende

Otávio Augusto Ribeiro
Por Otávio Augusto Ribeiro
Nasa revela a forma real da Terra e imagem surpreende
Foto: Divulgação

A Terra está longe de ser uma esfera perfeitamente lisa. Embora essa seja a representação mais comum em livros e globos, um novo modelo tridimensional divulgado pela Nasa mostra um planeta com ondulações e irregularidades que chamaram a atenção de milhões de pessoas nas redes sociais.

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A imagem, produzida pelo Scientific Visualization Studio, apresenta o chamado geoide, uma representação científica baseada no campo gravitacional da Terra. O resultado lembra um planeta “amassado”, com elevações e depressões espalhadas pela superfície. No entanto, essas deformações não representam montanhas ou vales reais.

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O aspecto incomum da visualização existe porque os cientistas ampliaram as diferenças de altitude entre sete mil e dez mil vezes para facilitar a observação. Na realidade, essas variações são discretas e vão de cerca de 85 metros acima da superfície de referência até aproximadamente 106 metros abaixo dela.

Foto: Divulgação

O que é o geoide?

Ao contrário do que muita gente imagina, o geoide não é uma fotografia da Terra. Trata-se de uma superfície teórica criada a partir do comportamento da gravidade em diferentes regiões do planeta.

Na prática, ela representa como seria o nível de um oceano que cobrisse toda a Terra, sem influência de marés, ventos ou correntes marítimas. Como a distribuição de massa no interior do planeta não é uniforme, a gravidade também varia. Essas diferenças aparecem na forma de pequenas ondulações no modelo.

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É justamente essa superfície que serve de referência para calcular altitudes oficiais em diversos países e definir o chamado nível médio do mar.

Foto: Divulgação

Bilhões de medições deram origem ao modelo

A visualização foi construída com base no GOCO06s, um dos modelos mais completos do campo gravitacional terrestre já produzidos.

Para chegar ao resultado, pesquisadores reuniram mais de 1 bilhão de observações realizadas durante 15 anos por 19 satélites. Entre eles estão as missões GRACE, desenvolvida pela Nasa em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão, e GOCE, da Agência Espacial Europeia.

Cada missão utilizou tecnologias diferentes para medir pequenas alterações na gravidade da Terra. Depois, os cientistas combinaram todas essas informações com dados de rastreamento por laser e medições orbitais para construir um retrato extremamente preciso do planeta.

O Brasil também participou

O Brasil integrou o processo de validação dos dados.

Pesquisadores compararam os resultados do modelo com informações obtidas pelo IBGE, utilizando medições de posicionamento por satélite (GNSS). Os dados brasileiros foram analisados juntamente com levantamentos realizados na Alemanha, no Japão e nos Estados Unidos para verificar a precisão do modelo.

Terra

Foto: Divulgação

Por que a gravidade muda?

Segundo especialistas da Nasa, a força gravitacional não é igual em toda a superfície terrestre.

Regiões que concentram maior quantidade de massa, como cadeias montanhosas, exercem uma atração gravitacional ligeiramente maior. Já áreas com menor densidade apresentam valores menores.

Além disso, o campo gravitacional muda continuamente. O deslocamento de grandes volumes de água, o derretimento de geleiras e outras alterações naturais modificam essa distribuição de massa ao longo do tempo.

Muito além da curiosidade científica

Embora a imagem tenha viralizado por seu aspecto curioso, o mapeamento gravitacional possui aplicações importantes.

Os dados ajudam pesquisadores a monitorar a disponibilidade de água subterrânea, estudar o comportamento dos oceanos, compreender movimentos das placas tectônicas e melhorar sistemas de navegação e de referência de altitude utilizados em todo o mundo.

Também são ferramentas importantes para pesquisas sobre mudanças climáticas e planejamento de infraestrutura em regiões costeiras.

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