Quais são as chances de Ronaldo Caiado ser candidato a presidente da República

Governador de Goiás se vê no dilema de tentar se viabilizar como nome da direita ou pavimentar uma terceira via

Rafael Vaz
Por Rafael Vaz
Quais são as chances de Ronaldo Caiado ser candidato a presidente da República
Imagem: José Cruz (Agência Brasil)

O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) não esconde de ninguém que pretende concorrer à Presidência da República em 2026. Apesar de ainda ter um longo caminho pela frente antes de entrar oficialmente no jogo, o chefe do Executivo já começou a dar os primeiros passos. Um deles foi ampliar sua presença em outros estados.

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Caiado concorreu ao Palácio do Planalto nas eleições de 1989. Na época, aos 39 anos, o jovem líder ruralista, representante da União Democrática Ruralista (UDR), levou ao País uma mensagem muito forte e chamou atenção ao bater de frente com grandes nomes da política brasileira, como Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Collor de Mello – que venceu a disputa -, Leonel Brizola, Paulo Maluf e Mário Covas.

A provável nova candidatura do governador de Goiás à Presidência já tem sido pautada pela imprensa nacional. Veículos como O Globo, CNN Brasil, Veja e Jovem Pan têm publicado diversas notícias e entrevistas sobre o assunto. O Curta Mais conversou com analistas e líderes de diferentes correntes políticas e apresenta a você, leitor, um panorama com os principais desafios e os pontos favoráveis para que Caiado realize o seu maior sonho: ser o primeiro goiano eleito presidente do Brasil.

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Pontos favoráveis
• Caiado tem trabalhado diariamente para ampliar sua presença em outros estados. Em São Paulo, conseguiu que a Confederação Nacional da Agropecuária (CNA) e a Federação da Agricultura e Pecuária (Faesp) disponibilizassem uma sala para reuniões. Em Brasília, a ideia é usar o prédio do União Brasil para encontros com líderes políticos;

• O governador tem buscado reforçar sua proximidade com o agronegócio, tanto em Goiás, quanto em outros Estados. Neste domingo (03/03), por exemplo, o goiano foi eleito “Personalidade do Agro Nacional pelo Troféu Brasil Expodireto”, no Rio Grande do Sul.

• Caiado tem a seu favor o fato do seu governo ser avaliado no Estado. Em janeiro, foi classificado pela pesquisa AtlasIntel como o governador de maior aprovação do Brasil, com 72% de aprovação positiva.

• Outra pauta apresentada pelo governador é a segurança pública. Os bons resultados obtidos em Goiás têm sido amplamente divulgados em outros estados, o que favorece Caiado, uma vez que o assunto é considerado por muitos como uma das maiores dificuldades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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• O fato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ter se tornado inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também pesa a favor de Ronaldo Caiado. Até o momento, ainda não há um nome consolidado pela direita para substituir o ex-mandatário nas próximas eleições.

• A reaproximação com o bolsonarismo também é vista como fator positivo para o goiano. Ele foi um dos quatro governadores que participaram, em 25 de fevereiro, do ato em apoio ao ex-presidente. Caiado tem – entre seus principais interlocutores -, o senador Wilder Morais, considerado um dos homens de confiança de Jair Bolsonaro. Recentemente, inclusive, começou a circular boatos de que Michelle Bolsonaro poderia ser candidata à vice de Caiado.

Pedras no caminho
• Caiado precisa combinar sua possível candidatura a presidente com muita gente, a começar pelo próprio partido. O União Brasil ainda se divide entre ser oposição ou aliado do governo Lula. Recentemente, com o apoio do governador de Goiás, Antônio Rueda foi eleito para o comando nacional da legenda, após um processo eleitoral bastante tumultuado.

• Superar nomes que contam com maior simpatia por parte do eleitorado bolsonarista também será um dos obstáculos. Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Romeu Zema (Novo), por exemplo, além de governadores de estados maiores e com mais visibilidade no cenário nacional, são vistos como nomes mais alinhados a Jair Bolsonaro. Tarcísio, inclusive, é citado por muitos cientistas políticos como o nome natural para ser o “herdeiro” do eleitorado da direita.

• Há, ainda, certa desconfiança do eleitorado do ex-presidente com o governador de Goiás. Apesar de terem selado a paz nas eleições de 2022, durante o momento mais grave da Covid-19, Caiado rompeu publicamente com Bolsonaro por divergências no combate à pandemia. Enquanto o ex-capitão defendia a reabertura imediata do comércio, o goiano – como médico -, se viu obrigado a defender a quarentena para diminuir a propagação do vírus.

* Por fim, o governador ainda precisa alinhar seu discurso e encontrar o equilíbrio para agradar, ao mesmo tempo, eleitorado bolsonarista e o eleitorado da centro-direita e do centro.

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